cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    METALLICA: THROUGH THE NEVER

    Performance da banda impressiona em narrativa instável
    Por Daniel Reininger
    02/10/2013

    Em 2004, o documentário Some Kind Of Monster mudou a forma como vemos o Metallica e, ao mostrar os problemas enfrentados pelos seus membros, interessou até mesmo pessoas que não gostam da música dos caras. Agora, o diretor Nimrod Antal (Predadores) decidiu fazer algo totalmente voltado para os fãs, um filme-concerto com direito a versão Imax e uma narrativa paralela sobre a jornada de um jovem roadie ao inferno.

    Com estilo de videoclipe dos anos 90, Metallica: Through The Never tem início com o protagonista Dane DeHaan (O Lugar Onde Tudo Termina) andando de skate no backstage, onde encontra os membros do grupo em seu momento pré-show. Quando a banda começa a tocar a primeira música diante de milhares de pessoas, o garoto é enviado a uma missão para recuperar um pacote perdido pelos integrantes.

    Ele toma uma pílula antes da jornada, mas nenhuma droga pode prepará-lo para o que vai encontrar do lado de fora da arena. As ruas vazias anunciam que algo terrível está acontecendo. Ele sofre um acidente de carro e a partir daí mergulha em eventos apocalípticos embalados pela trilha poderosa da banda norte-americana. O jovem ator está muito bem e mesmo sem falar praticamente nada durante todo o filme, transparece agonia e desespero.

    DeHann protagoniza cenas visualmente incríveis; entretanto, o filme não tenta explicar o caos, nem aprofundar o personagem. Dessa forma, as coisas começam a ficar frustrantes. Ao menos, sempre que a subtrama ameaça destruir o longa, voltamos a assistir uma intensa performance do Metallica no palco. Os quatro membros - James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo - estão muito bem e mandam clássicos como And Justice For All, Ride the Lightning, Enter Sandman, Master of Puppets e One.

    Os fãs vão ao cinema exatamente para vê-los detonando nos palcos e disso não podem reclamar – os caras dão tudo de si ali em cima. Faltam muitas músicas em relação ao setlist da turnê Magnetic, mas a escolha de cada uma foi perfeita. Aumentar a duração do filme para incluir mais clássicos seria um erro.

    O palco gigantesco montado no meio da arena impressiona e o lado teatral do espetáculo coloca o público em uma espécie de frenesi, com direito a mosh durante as músicas mais pesadas. A aparição da estátua da Justiça (Lady Justice) é sensacional. Claro que os melhores momentos acontecem nos maiores clássicos; destaque para a interpretação de Nothing Else Matters.

    O cineasta usa bem o 3D e consegue momentos impactantes com as 24 câmeras utilizadas para gravar a banda, captada ao longo de várias apresentações no Canadá. O problema é que, enquanto o show vai em direção a um final dramático, a história protagonizada por DeHaan se perde - funciona como anticlimax e deixa o público com mais perguntas do que respostas.

    Metallica: Through The Never se esforça para combinar música e imagem de uma forma original, mas nem sempre consegue. Entretanto, a performance da banda vale a ida ao cinema. Os fãs terão pouco para reclamar. Aos outros, cabe desfrutar do visual e da boa música.