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    MEU EX É UM ESPIÃO

    Por Juliana Varella
    21/08/2018

    Talvez você goste de ir ao cinema para mergulhar num mundo novo. Talvez vá para ter assunto com o crush, ocupar o tempo num domingo chuvoso ou para ver aquela cena (ou aquele bigode) sobre a qual todo mundo está falando. Talvez você ame blockbusters ou prefira dedicar seu tempo a um filme mais cabeça, mas a verdade é que, seja qual for seu estilo, tem dias em que tudo o que você precisa é relaxar, comprar sua pipoca e dar umas risadas sem pensar demais. Se esse for o caso, então Meu Ex É Um Espião é o filme certo. Anota aí.

    "Meu Ex" chega aos cinemas como uma mistura muito bem-vinda de dois subgêneros: o das comédias de espionagem, como O Homem Que Sabia de Menos (com Bill Murray) e A Espiã Que Sabia De Menos (com Melissa Mccarthy) – totalmente não-relacionados apesar dos nomes; e o das comédias de ação em dupla, como Hora Do Rush, Dois Caras Legais e As Bem Armadas.

    A diferença é que, aqui, as protagonistas não são policiais nem espiãs, mas (um pouco como Murray) se envolvem por acidente numa operação secreta. Como sugere o título, é o ex de Audrey (Mila Kunis) que as coloca nessa fria, depois de terminar com a namorada por mensagem de texto enquanto escapava de tiros e improvisava bombas num microondas na Lituânia.

    Justo quando pensava estar livre desse embuste, Audrey e sua melhor amiga Morgan (Kate Mckinnon) são surpreendidas por uma invasão domiciliar, assassinatos a sangue frio e mensagens cifradas de agentes interessados num misterioso pendrive. A partir daí, será como se estivéssemos vendo um Missão Impossível pelos olhos de duas pessoas comuns, que expõem com descrença e senso de humor o absurdo inerente a essas franquias de ação.

    A trama, como em qualquer comédia do tipo, não é tão relevante quanto as piadas bem escritas, o ritmo e a química entre os personagens e, nesses três quesitos, o filme cumpre seu papel com louvor. Kunis e McKinnon formam uma boa dupla – a primeira com um humor mais contido e pé-no-chão e a segunda mais teatral, exagerada, "excessiva" como acusa outro personagem (adivinhem quem). Mas não importa: o que o filme quer nos ensinar é que amigas defenderão umas às outras mesmo que elas as façam passar vergonha.

    Essa ideia de sororidade soma ainda mais pontos a uma obra que também se destaca por permitir que suas protagonistas sejam engraçadas sem que sua aparência faça parte da piada. A diretora, não por acaso, é uma mulher (Susanna Fogel), o que ajuda a entender ainda por que os diálogos e figurinos soam tão naturais.

    Não que o filme não explore um pouco a aparência de outros personagens: o agente que ajuda as duas é um bonitão provavelmente escalado para tornar a sessão mais atraente e uma das vilãs é o clichê da ginasta russa robótica e sem sobrancelhas que você já conhece (que pode até ser uma representação da perfeição como inimiga das mulheres e tal, mas é melhor não irmos por esse caminho).

    Meu Ex É Um Espião não tem a pretensão de transformar o gênero ou questionar profundamente os padrões, mas entrega uma sessão leve e engraçada sem deixar de dar suas alfinetadas pontuais. Para uma noite de sexta-feira depois de uma semana cheia e estressante, o que mais poderia você poderia querer?