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    MEU IRMÃO QUER SE MATAR

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Em 1995, os cineastas dinamarqueses Lars Von Trier e Thomas Vinterberg criaram o Dogma, movimento cinematográfico naturalista que pregava "regras" a fim de combater qualquer tipo de intervenção do cineasta nas locações. Direção, roteiro e atuações são valorizados nesse tipo de cinema. Entre as "regras", iluminação natural (sem refletores ou coisas do gênero); câmera digital na mão; nada de sonoplastia, trilha sonora, filtros ou trabalhos óticos; o diretor do filme não deve receber créditos. O resultado? Filmes como Os Idiotas e Festa de Família (ambos de 1998), que ficaram na história do cinema mais pelo que representam do que por sua qualidade. Os cineastas continuaram na ativa e os preceitos do Dogma ainda são utilizados por alguns cineastas, mas com menos rigor. Em 2000, a cineasta dinamarquesa Lone Scherfig fez sucesso internacional com Italiano Para Principiantes, filme do Dogma. Mas, assim como seus colegas, ela abandonou esses preceitos e, agora, apresenta Meu Irmão Quer se Matar.

    Se em Italiano Para Principiantes a diretora mostra uma simpática história, aqui ela se rende a uma trama melancólica, protagonizada por personagens solitários que tentam acabar com esse sentimento da forma que conseguem. A trama gira em torno de dois irmãos, Harbor (Adrian Rawlins) e Wilbur (Jamie Sives). O primeiro é otimista, desprendido e vive para cuidar dos outros, especialmente do irmão mais novo, que vive tentando matar. Quando o pai morre, os dois órfãos herdam o sebo da família. É lá que eles conhecem Alice (Shirley Henderson, a Murta Que Geme dos filmes de Harry Potter), que entra na loja acompanhada de sua filha Mary (Lisa McKinlay). Alice é faxineira num hospital das redondezas e vende os livros que os pacientes deixam nos quartos à medida que são desocupados. Harbour apaixona-se por Alice. O casamento dos dois faz com que os quatro tornem-se uma família.

    Meu Irmão Quer Se Matar apresenta um humor agridoce numa trama envolvente e emocionante. Não existe maniqueísmo por aqui e os finais felizes estão longe do convencional. Ao colocar lado a lado dois irmãos tão diferentes e ao mesmo tempo parecidos entre sim, o filme questiona o que é, afinal, a justiça. Que, aqui, não existe. A história parte de um ponto absurdo, representado pelo irmão que nunca consegue se matar, caminhando para o realismo livre de mocinhos e bandidos. Trata-se de uma produção digna, cujos personagens, sofridos, ficam longe do "dramalhão". Simples e tocante, Meu Irmão Quer Se Matar emociona sem se esforçar muito e esse é o mérito da produção, repleta de boas interpretações.