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    MEU NOME NÃO É JOHNNY

    Por Angélica Bito
    04/01/2008

    Baseado no livro homônimo escrito por Guilherme Fiúza, Meu Nome Não É Johnny conta a história real de João Guilherme Estrella, que hoje atua como produtor musical. Nascido numa família carioca de classe média, passou sua juventude nos anos 80 e 90 envolvido com venda de drogas e é esta a passagem de sua vida que a história enfoca.

    Calcado principalmente na atuação consistente de Selton Mello na interpretação de Estrella, o filme desenha de forma muito particular o retrato deste personagem. Deixando de lado a abordagem maniqueísta e o fácil impulso de transformar a história do traficante em uma lição de moral, Meu Nome Não É Johnny não pretende julgar os atos dos personagens e este é o grande trunfo do filme.

    A recriação da época é sutil, porém bem marcada pela direção de arte e criação do figurino, transportando com competência o espectador à realidade vivida pelo protagonista nas várias fases que o longa abrange, desde seu envolvimento com as drogas - primeiramente como usuário, depois como traficante - até sua prisão. A forma como Mello transmite carisma ao personagem pode, ao primeiro olhar, dar a entender que existe uma "glamurizaração" do personagem e da situação toda, mas as intenções são contrárias, principalmente por essa posição que o filme toma ao se manter distante de qualquer julgamento.

    Misturando o humor (principalmente conferido por esse cinismo que Mello é capaz de conferir aos seus personagens) ao drama, especialmente num segundo momento da produção, quando Estrella é julgado e preso, Meu Nome Não é Johnny envolve o espectador graças também à direção fluída e, principalmente, as atuações convincentes.

    Por mais que Meu Nome Não é Johnny gire em torno das drogas, não tem a ver com filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite, que focam o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro: Estrella era conhecido como um "traficante do asfalto". Ou seja, nunca pisou numa favela, obtendo drogas por outros meios e distribuindo-as em seu círculo social. Portanto, trata-se de um recorte diferente e complementar de um mesmo mosaico, também formado pelas duas produções citadas anteriormente, que focam o tráfico de entorpecentes. As comparações são inevitáveis, mas devem ficar restritas somente ao tema.

    Meu Nome Não é Johnny levou dois anos e meio para ser concluído, com orçamento de R$ 5,5 milhões.