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    MIA MADRE

    Drama passeia entre realidade e sonho
    Por Edu Fernandes
    15/12/2015

    Uma experiência pessoal fez o diretor Nanni Moretti (O Crocodilo) se inspirar para escrever o roteiro de Mia Madre. Sua mãe estava internada com uma doença grave enquanto ele finalizava o longa Habemus Papam (2010). Apesar do ponto de partida da trama estar fincado na realidade, o longa se permite voos oníricos e cenas criativas.

    O enredo gira em torno dos diversos conflitos experimentados pela cineasta Margherita (Margherita Buy, de Estranhos Normais) – um alter ego feminino do diretor. No plano profissional, ela está em meio à produção de um longa-metragem.

    Além das pesadas demandas do trabalho, ela tem um desafio a mais na figura de Barry Huggins (John Turturro, de Êxodo: Deuses E Reis). O ator deixou Hollywwod para ir à Itália especialmente para participar do filme de Margherita, mas seus ataques de estrelismo são corriqueiros. Lidar com o astro é ainda mais complicado por causa dos solavancos pessoas aos quais está submetida.

    No campo amoroso, a protagonista recentemente terminou um relacionamento motivada por inseguranças. Ela é divorciada e tem uma filha adolescente, que é o menos dos seus problemas.

    Ainda no âmbito familiar, a mãe de Margherita está lutando contra o câncer. Ada (Giulia Lazzarini) sempre foi uma mulher independente, professora de idiomas com alunos que a admiram. Por isso, estar nessa posição de vulnerabilidade a incomoda, o que cria obstáculos para os filhos. Nessa contenda, Margherita tem a ajuda do irmão Giovanni, vivido pelo próprio Nanni Moretti. Ele oferece todo o apoio e chegou a tirar férias do trabalho para cuidar da mãe.

    Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a personagem principal acusa a pressão. Em seus sonhos, imagina a morte da mãe de algumas maneiras.

    É na inclusão do onírico que Mia Madre brilha. Em alguns momentos, o espectador é enganado pelo filme e acredita que o sonho é real. Em outros momentos, pensamos adentrar o mundo da fantasia, mas trata-se de um acontecimento esdrúxulo na vida da cineasta.

    A concatenação de sonho e verdade envolve e nos faz acompanhar mais de perto o martírio de Marguerita, exatamente por não termos em um primeiro momento total certeza de que os eventos na tela sejam sonhos ou não. Assim, o envolvimento com um tema tão universal quanto o amor materno rende uma experiência íntima em cada um dos espectadores.