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    MIAMI VICE

    Por Angélica Bito
    25/08/2006

    O fato de Miami Vice ser adaptação cinematográfica do seriado homônimo notório nos anos 80 é seu principal mote. No entanto, o espectador interessado neste filme deve notar que existe uma diferença entre as palavras "versão" e "adaptação". E, neste caso, somente a segunda palavra pode ser aplicada. Não é uma versão fiel do que acompanhamos na TV, mas sim uma releitura moderna. Afinal, são poucas as semelhanças entre o programa de TV e o longa-metragem.

    Dirigido por Michael Mann (Colateral), Miami Vice mostra o violento dia-a-dia de dois detetives nas ruas da cidade norte-americana que dá nome ao filme. Sonny Crockett (Colin Farrell) e Ricardo Tubbs (Jamie Foxx) trabalham disfarçados. Descolados, elegantes e charmosos em seus ternos Hugo Boss, dirigem uma Ferrari conversível, confundindo-se facilmente com os endinheirados que circulam em Miami. Eles investigam uma quadrilha de tráfico de drogas que tem esquemas tanto na "terra do Tio Sam" quanto em países latinos, como Cuba, Colômbia e Panamá. Seu alvo é o chefe do tráfico colombiano Arcángel de Jesús Montoya (o espanhol Luis Tosar), cujo braço direito é a cubana Isabella (Gong Li, uma das atrizes chinesas mais requisitadas do momento), o interesse romântico de Crockett. Afinal, eles são durões, mas têm um coração e são afetados por seus problemas pessoais - talvez uma das poucas características do seriado que permaneceram nesta adaptação.

    Em Miami Vice, as conhecidas palmeiras de Miami não refletem a luz do sol. Não há mulheres de biquíni andando pela orla marítima, muito menos flamingos cor-de-rosa - símbolo da cidade. O humor, que fazia parte dos diálogos entre os dois detetives no seriado, não existe aqui. Muito mais durões, sérios e violentos, Crockett e Tubbs são uma versão mais adulta e obscura dos detetives que fizeram fama na TV há 20 anos. Até seu figurino é composto por peças escuras, fazendo contraponto aos blazers claros da versão televisiva. Na verdade, toda a atmosfera criada por Mann - que também trabalhou no seriado como produtor executivo e roteirista - em Miami Vice dá essa idéia. A maior parte dos 134 minutos de filme se passa durante a noite, o que dá uma impressão muito mais obscura da cidade, conhecida por seus dias ensolarados. As câmeras (digitais) de Mann acompanham seus personagens de perto, sendo inseridas em ângulos inusitados em tiroteios, o que ajuda a aproximar sua direção à documental. A fotografia, assinada pelo australiano Dion Beebe, valoriza as tomadas noturnas, funcionando tão bem como sua parceria com o diretor em Colateral.

    Miami Vice pouco tem da série que tornou esse nome notório, o que pode ser uma das explicações de seu fracasso nas bilheterias norte-americanas (mercado que realmente importa em Hollywood): tendo custado US$ 135 milhões, o filme rendeu somente US$ 25 milhões no primeiro fim de semana em cartaz nos EUA. Além disso, a produção se leva a sério e sua trama é complexa, o que também pode explicar seu fracasso comercial. Mas, da mesma forma que o programa original, o filme funciona como um recorte de Miami, evidenciando muito mais o "lado B" da cidade, tornando-o um filme policial adulto, obscuro e violento ao extremo.

    Miami Vice é um blockbuster inteligente e diferente do que geralmente é feito no gênero policial. E um fracasso comercial. Será que os filmes hollywoodianos, portanto, não podem sair das regras como esta produção? As bilheterias americanas dizem que não e quem mais deveria lamentar é o espectador.