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    MIDSOMMAR - O MAL NÃO ESPERA A NOITE

    Por Thamires Viana
    23/09/2019

    Poético e perturbador: é assim que podemos descrever Midsommar - O Mal Não Espera A Noite, novo longa de Ari Aster, diretor que se tornou conhecido do grande público com o terror Hereditário lançado em 2018. Embora siga os mesmos passos de seu antecessor, Midsommar é ainda mais profundo e ganancioso, mostrando mais uma vez que Aster sabe bem como perturbar sem soar clichê. 

    Logo na introdução, o longa escancara uma grande tragédia na vida da estudante de psicologia Dani, personagem vivida por Florence PughTerry, sua irmã que sofre de transtorno bipolar, mata os pais e se mata em seguida, causando na jovem um trauma irreparável. E é em Christian (Jack Reynor), seu namorado, que ela busca consolo para lidar com a perda. Enquanto a câmera subjetiva acompanha a cena do crime, ouvimos os gritos de desespero de Dani, e a forma como Aster introduz a morte logo nos primeiros minutos leva o público a uma imersão sobre os verdadeiros pavores a serem tratados.

    Meses depois, Christian se prepara para uma viagem à Suécia para finalizar sua tese em antropologia na companhia dos amigos Josh (William Jackson Harper), Mark (Will Poulter) e Pelle (Vilhelm Blomgren), mas o luto de Dani faz o rapaz convidá-la para viajar com eles. O grupo planeja conhecer um festival de verão realizado pela família de Pelle, mas o que eles encontram no local é uma série de assassinatos e rituais macabros. 

    Mais uma vez tratando da cultura religiosa, Aster consegue se reinventar no gênero. Se em Hereditário as cenas macabras eram anunciadas com o cair da noite, aqui ele insere seus momentos apavorantes à luz do dia, enquanto os figurinos brancos e os arranjos de flores usados no festival dão o ar poético à trama, já que destoam completamente de todo o horror que se passa no local. É na distância de qualquer outro filme do gênero que o diretor se agarra para levar o público - e seus personagens - ao verdadeiro encontro com o desconhecido. 

    O acerto mais interessante de Midsommar é conseguir transitar entre o psicológico e o místico no culto realizado pelos pagãos suécos, ao mesmo tempo em que aprofunda a realidade do relacionamento falido de Dani e Christian e a amizade estremecida entre os rapazes que não toleram o namoro dos dois. Entre chás alucinógenos e danças típicas, a trama deixa escapar pequenas DR's do casal e discussões entre Christian e Josh sobre a tese de pós-graduação, revelando os diferentes motivos que levaram cada um deles a se entregar às práticas do culto. 

    Ao contrário do que fez em Hereditário, Aster - que também assina o roteiro deste - evita se entregar demais à lentidão e aprofunda seus personagens em paralelo aos acontecimentos do longa, o que deixa o desenrolar mais acelerado e imersivo para que o espectador não consiga tirar os olhos da tela. Além disso, a mescla de uma paisagem incrivelmente bela com a brutalidade de corpos mutilados e suicídios sem cortes nos leva a uma experiência completamente inquietante.

    Midsommar - O Mal Não Espera A Noite é um filme complexo que apresenta o lado mais sombrio das relações humanas e que dá ao novo terror ainda mais fôlego para seguir amedrontando enquanto dispensa o tradicional. Assim como os diretores Jordan Peele (Corra! e Nós) e John Krasinski (Um Lugar Silencioso), Aster reafirma seu talento para o gênero e mostra que menos é mais quando se trata de levar o horror às telas.