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    MIL ANOS DE ORAÇÕES

    Por Heitor Augusto
    20/11/2008

    A complexa relação entre pais e filhos há muito tem sido objeto de reflexão cinematográfica, seja na Itália (Pai Patrão), no Canadá (C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor), no Brasil (Bicho de Sete Cabeças) ou na Alemanha (Hanami - Cerejeiras em Flor, em exibição na Mostra deste ano).

    O sino-americano Mil Orações de Amor, integrante do segmento Perspectiva dentro da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, segue essa linha. É o 18º longa de Wayne Wang, nascido na China, mas residente nos Estados Unidos desde os 17 anos. O diretor é conhecido por dirigir filmes com maior apelo de público, como Encontro de Amor (protagonizado por Jennifer Lopez), bem como obras autorais, entre elas Cortina de Fumaça (indicado ao Urso de Ouro em Berlim em 1995) e O Centro do Mundo.

    No novo filme, a relação de um pai comunista ausente e sua filha que mora nos EUA é confrontada. O pai, Sr. Li (Henry O), deu suporte à tomada de poder de Mao Tse-Tung em 1949 (que criou a República Popular da China e a República da China, conhecida como Taiwan). Passado dos 60 anos, mas ainda crente na revolução, vai visitar a filha, ponto de partida do longa. Yilan (Faye Yu), a filha, traz uma tristeza nos olhos, um passado truncado e uma impaciência gigantesca com seu pai.

    Sr. Li teria supostamente ido visitar a filha para ajudá-la a sair da tristeza, enquanto Yilan não está nem um pouco a fim de ser ajudada. Muitas coisas não são ditas, mas há a sensação de que algo bem complicado será descortinado no final, o que de fato acontece.

    Para além da relação entre pai e filha, outra chave de leitura para Mil Anos de Orações é o presente como resultado histórico do passado. O comunismo chinês inaugurado em 1949, do qual Sr. Li participou (e teve sua vida pessoal diretamente influenciada), passou por mudanças que o descaracterizou. O mundo mudou, a mulher adquiriu outro status - mesmo que o velho chinês se recuse a ver.

    Com muito silêncio e intimismo, o diretor Wayne Wang fala da relação dos dois, com camadas que levam também a uma leitura política. Coincidência ou não, Wang nasceu em 1949, ano em que a China virou comunista, regime que fez com que o personagem Sr. Li escondesse uma mentira por anos.