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    MILAGRES DO PARAÍSO

    Drama água com açúcar deve atrair até os não religiosos
    Por Iara Vasconcelos
    18/04/2016

    As produções religiosas parecem ser a nova tendência para o mercado brasileiro e munduao. Desde a estreia do nacional Os Dez Mandamentos: O Filme, que ainda bate recordes de venda de ingressos, os cinemas do país receberam - e ainda vão receber - uma série de títulos com essa mesma temática, como o norte-americano Ressurreição, O Jovem Messias e agora Milagres Do Paraíso.

    O filme tem direção de Patricia Riggen, conhecida pelos dramas Sob A Mesma Lua e Os 33. A cineasta embarca pela primeira vez na onda gospel e o faz sem muitas surpresas ou revoluções ao adaptar a história real da família Beam.

    Na trama, Christy (Jennifer Garner) é a matriarca da devota família, que mora em um rancho no Texas. Quando descobre que sua filha do meio, Anna (Kylie Rogers), tem uma rara doença gastrointestinal, que a obriga a se alimentar através de uma sonda e tomar vários coquetéis de medicamentos ao longo do dia, parte para Boston em busca de tratamento com um dos maiores especialistas no assunto. Lá descobre que o problema é incurável, o que a deixa revoltada e sem fé. Entretanto, alguns meses depois, Anna acaba caindo dentro do oco de uma árvore, mas sai ilesa e milagrosamente curada de sua enfermidade anterior.

    Como é de se esperar de um filme do gênero, Milagres do Paraíso debate o velho dilema da "ciência vs religião". O roteiro tenta amenizar o tom dogmático, mas não consegue escapar dos clichês. O sentimento de "nós (cristãos) vs eles (incrédulos)" também está presente, mostrando que, apesar da tentativa de deixar a produção mais acessível à todos - com a presença de atores conhecidos como Jennifer Garner, Queen Latifah e Martin Henderson - ainda é um filme voltado ao público cristão.

    A duração do longa também é um fator a se considerar. A trama simplista poderia ter sido resumida em muito menos tempo que 110 minutos. Ao longo da história, fica evidente que o roteiro recorreu a artifícios emotivos desnecessários para provocar choro fácil dos espectadores. E consegue. Para aqueles que já têm filhos ou presenciaram algum familiar enfrentar doença semelhante, Milagres do Paraíso pode arrancar algumas lágrimas aqui e acolá.

    Jennifer Garner até entrega uma performance sólida de uma mãe em sofrimento, mas o papel não lhe permite muito. A pequena Kylie Roger, que interpreta Anna, é uma grata surpresa e encanta pelo carisma e química com Garner.

    Milagres do Paraíso não consegue ir além do que se espera de um filme religioso, mas não chega a ser um exemplar particularmente ruim dentro do gênero. Claro que lhe falta a intensidade e tom provocativo de outras obras, como o badalado Deus Não Está Morto, mas é exatamente o drama "água com açúcar" que lhe garante a chance de conquistar mais espectadores casuais.