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    MINHA VIDA DAVA UM FILME

    Previsível, comédia exagera nas caricaturas
    Por Ana Carolina Addario
    06/11/2013

    No palco de um teatro infantil, uma menininha atrevida questiona, durante um ensaio de O Mágico de Óz, o célebre ditado da garota Doroty que diz não haver lugar melhor no mundo do que a nossa casa. Quando Minha Vida Dava Um Filme começa assim, você imagina o desenvolvimento de uma mulher forte em busca de seu real lugar no mundo em um filme talvez bem-humorado, talvez emocionante. Mas a promessa não se cumpre. Mesmo com boas atuações de Kristen Wiig e Annette Bening, a história de Michelle Morgan não alcança nem o humor nem a emoção a que se propõe e repete uma fórmula que já deu mais certo na história do cinema.

    Imogene é o clássico fruto do trauma familiar largamente representado pelas comédias cinematográficas: filha de uma mãe excêntrica e um pai morto prematuramente, ela teve que lutar sozinha para conquistar seu lugar no mundo, que definitivamente não se encontrava no limite dos calçadões de Ocean City, sua cidade natal. Estabelecida em Nova York, ela esbarra no fracasso como dramaturga e após uma estranha tentativa de suicídio, retorna à casa de sua família e é obrigada a enfrentar os fantasmas do seu passado, bem como suas frustrantes perspectivas para o futuro.

    A trama sobre o reencontro com as raízes diluídas no contato com a metrópole também não é novidade no cinema. De cara, dá pra citar O Diabo Veste Prada como exemplo, que há sete anos acompanhou a jornalista Andy em uma cômica incursão pelo superficial mundo da moda, onde se distancia das coisas importantes da vida para se transformar em tudo o que sempre repudiou. Troque o mundo fashion pelas rodas da falsa literatura norte-americana e temos Minha Vida dava um Filme, só que menos engraçado e naturalmente muito mais previsível.

    A protagonista de Kristen Wiig até convence de sua histeria e insegurança, mas seu drama e esquisitice não conseguem despertar emoção nem provocar grandes risadas ao longo do filme. Uma personagem de pouca empatia. No contraponto da trama, a mãe excêntrica e repleta de vícios vivida por Annette Bening chega mais perto de conquistar o público, mas o fato de ambas serem caricaturas tão previsíveis tira um pouco o charme do filme, que também não conta com diálogos para se sustentar.

    Com direção modesta e poucas passagens verdadeiramente boas (o filme dá uma melhorada quando se aproxima da reta final), Minha Vida Dava Um Filme diverte menos do que seus irmãos de gênero e não traz grandes novidades no que diz respeito a seu tema central. Garantia de risadas esparsas e a certeza de saber como o filme vai acabar em seus primeiros minutos.