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    MUITO BARULHO POR NADA

    Diretor de Vingadores cria longa com humor inteligente
    Por Daniel Reininger
    19/08/2013

    Muito Barulho por Nada não é o filme que todos esperavam de Joss Whedon após o sucesso de Os Vingadores. A adaptação da comédia de Shakespeare, conhecida por desconstruir a ideia de amor, é ambientada nos dias atuais, mantém a linguagem original e usa o anacronismo como ferramenta para humor inteligente.

    No começo, o texto soa pretensioso, mas aos poucos percebemos que é o grande charme da obra. Filmado em apenas 12 dias na casa do próprio diretor, esse projeto independente reúne atores famosos por seriados de Whedon, como Angel e Dollhouse. Destaque para Amy Acker, do seriado Buffy. Ela consegue transformar o sarcasmo de Lady Beatrice em algo charmoso.

    Os protagonistas lidam bem com o diálogo verborrágico e apenas personagens secundários apresentam problemas. A exceção é Nathan Fillion, famoso pela série Firefly. Como membro da guarda noturna, seu personagem destoa do restante do elenco, com humor bobo e físico. É como se uma comédia romântica convencional fosse invadida por um dos personagens cômicos de Jim Carrey. Essa mistura pode funcionar no teatro ou no texto clássico, mas no cinema fica estranho.

    Com exceção desse detalhe, o longa flui muito bem e dá vida nova ao texto de 400 anos. Na trama, Claudio (Fran Kranz) é um ousado jovem florentino que voltou a Messina após uma guerra bem-sucedida ao lado do príncipe de Aragão, Don Pedro (Reed Diamond). Ao ver a bela Hero (Jillian Morgese), filha do governador da província, Claudio se apaixona perdidamente e se prepara para casar com a donzela, até que uma conspiração se inicia para separá-los.

    Ao mesmo tempo, o príncipe e o governador decidem fazer Beatrice e Benedick, opostos em todos os sentidos, se apaixonarem. Agora imagine essa história com visual moderno, carros de luxo, festas à beira da piscina e homens de ternos chamando uns aos outros por títulos de nobreza – divertido.

    A sábia decisão de filmar em preto-e-branco proporciona ares de romantismo atemporal. Essa sensação é reforçada pela leve e pontual trilha sonora, que inclui a bela canção Sigh No More. Whedon foi bastante criativo ao filmar em uma única residência e conseguiu ótimas cenas. O ambiente confinado, com todos os personagens em uma única casa, reforça a tensão crescente.

    Muito Barulho por Nada é uma divertida comédia - projeto apaixonado de um dos melhores diretores da atualidade. É um filme leve que precisa ser visto pelos fãs de Whedon, de Shakespeare e pelos amantes de cinema. Ao assisti-lo, entenda que é preciso tempo para se adaptar ao choque entre as falas e a ambientação, entretanto, ninguém irá se arrepender ao dar uma chance a esse longa.