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    MUITA CALMA NESSA HORA 2

    Comédia recai em mesmos erros de sua antecessora
    Por Roberto Guerra
    15/01/2014

    A comédia Muita Calma Nessa Hora foi lançada em 2010 e contava a história das amigas Tita (Andréia Horta), Mari (Gianni Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza). Elas faziam uma viagem a Búzios, Rio de Janeiro, para dar uma força para Tita, depois desta descobrir a traição do noivo às vésperas do casamento. No caminho, encontravam uma hippie, Estrella (Débora Lamm), e daí em diante passavam por uma jornada de autodescobrimento.

    O problema do filme era que a jornada de autodescobrimento das quatro garotas era mero detalhe. Ou seja, a trama central era pormenor, pretexto que só servia de base para o roteiro escrito a seis mãos por Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão enxertar esquetes cômicas ao longo de uma história que se sustentava com dificuldade - apesar dos esforços do diretor Felipe Joffily e do montador Marcelo Moraes em trazer unidade dramática para o longa.

    A irregularidade se repete em Muita Calma Nessa Hora 2. A sequência reúne novamente o quarteto de amigas que se reencontra três anos depois da viagem para Búzios. Mari está coordenando a produção de um grande festival de música no Rio e convida as companheiras para o evento. Bruno Mazzeo, que é competente em fazer humor, tem claras dificuldades em desenvolver o arco dramático da história. Ele assumidamente constrói o filme sustentado-o em esquetes.

    Como a trama é supérfluo e não o principal, sobra o riso que surge dos muitos talentos individuais do humor que o filme reúne. Ri-se de Marcelo Adnet, de Maria Clara Gueiros, de Lúcio Mauro Filho, etc. Mas ri-se deles, de suas capacidades individuais de fazer graça e não do desenrolar da história, que é mera coadjuvante. Uma incongruência em se tratando de cinema.

    Há lá um romance que não empolga envolvendo os personagens de Gianne Albertoni e Rafael Infante - o comediante do Porta dos Fundos vive uma paródia do vocalista do grupo Los Hemanos. Temos também uma subtrama paralela envolvendo Pablo (Nelson Freitas) e Rita (Maria Clara Gueiros), que abrem uma pousada na cidade e se veem perseguidos por gângsteres argentinos cobrando uma dívida. Nada disso acaba interessando muito o espectador, que fica esperando a próxima gag como num programa de TV.

    Não se trata de cobrar que Muita Calma Nessa Hora 2 se aprofunde nas questões existenciais de Tita, Mari, Aninha e Estrella. A produção é uma comédia que não quer ser levada a sério, que usa e abusa de clichês. Mas comédia ou não, trata-se de um filme.

    A história deve vir em primeiro lugar, deve ser credível aos olhos da audiência por mais nonsense que seja. É preciso se envolver com ela. É preciso que tomemos contanto com personagens nos quais acreditemos e tenhamos empatia ou antipatia. Falta isso tudo em Muita Calma Nessa Hora 2. Falta ser cinema.