cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    MUKHSIN

    Um ótimo exemplo como simplicidade é importantíssimo para um filme de amor<br />
    Por Heitor Augusto
    17/03/2010

    É simplesmente tocante o sentimento de liberdade que sai dos poros de Mukshsin. A falta de compromisso com a ordem e as pitadas de ironia ao idílico fazem com que esse filme malaio traga um apaixonante frescor ao “filme de amor”.

    Sem recorrer à viciante narração em off, Orked (Sharifah Aryana) nos mostra como surgiu seu primeiro amor. Quem se lembra das paixões da infância, sabe que os pequenos acontecimentos não nos chegam de forma linear, articulados pela lógica da causa e efeito.

    Memória e lembrança se embaralham. Ao lado da paixão existe a escola, o garoto esculhambado, as meninas que pensam em se casar enquanto os garotos disputam espaço entre si. O vizinho ajuda a empinar pipa, a mãe convida para dançar na chuva, a moradora ao lado ri da família pouco ortodoxa para esconder suas próprias dores. Aconteceu mesmo ou a menina de dez anos imaginou tudo isso?

    A montagem de Affandi Jamaludin não esclarece, nem a direção de Yasmin Ahmad (Muallaf) faz questão de distinguir a verdade e a recriação. Tudo é indefinição, sabores na infância de sua personagem. Enquanto Orked vive um verão transformador, período que acompanhamos com sabor, um mundo em volta a protege.

    Especialmente o pai (Irwan Iskandar), a mãe (Sharifah Amani) e a babá (Adibah Noor). Em uma região na qual o homem mantém a casa e a mulher obedece a ordens, essa família “ao avesso” ousa fazer algo simples: amar. Mas, em vez da diretora malaia apelar para a caretice, resolve apostar na ironia e no absurdo.

    Mukhsin atinge uma espécie de sarcasmo poético, no mesmo nível de sofisticação de Vocês, os Vivos. Num insight, percebemos que o filme não os trata como bicho-grilo: nós que automaticamente damos esse significado à família que se propôs a viver, ouvir Nina Simone e rir dos pedregulhos da vida.

    Mas, acima de tudo, trata-se de um simples filme de amor. Sem arrogância ou elaborações estrombólicas. Mukhsin é exemplo de como simplicidade e cinema são grandes amigos.