MULHER-MARAVILHA

MULHER-MARAVILHA

(Wonder Woman)

2017 , 140 MIN.

12 anos

Gênero: Ação

Estréia: 01/06/2017

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    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Michelle MacLaren

    Equipe técnica

    Roteiro: Allan Heinberg, Flor Ferraco

    Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder

    Fotografia: Matthew Jensen

    Trilha Sonora: Rupert Gregson-Williams

    Estúdio: Atlas Entertainment, Cruel & Unusual Films, DC Entertainment

    Montador: Martin Walsh

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Ann Ogbomo, Chris Pine, Connie Nielsen, Eleanor Matsuura, Emily Carey, Eugene Brave Rock, Ewen Bremner, Florence Kasumba, Gal Gadot, Lisa Loven Kongsli, Lucy Davis, Madeleine Vall, Mayling Ng, Robin Wright, Roman Green

  • Crítica

    30/05/2017 17h19

    Por Daniel Reininger

    A super-heroína mais famosa de todos os tempos finalmente ganha seu próprio filme 75 anos após sua criação. A demora se deve ao peso de tratar sobre um ícone feminino e a obrigação de fazer jus à importância da Mulher-Maravilha no universo pop, mas o longa de Patty Jenkins consegue conquistar seus objetivos, emocionar e afastar qualquer dúvida de que o universo da DC no cinema tem tudo para dar certo.

    Com uma história de origem contada em flashback, sem medo de abordar elementos míticos, como a relação de Diana com os deuses gregos, o longa trabalha bem a imagem da mulher com sua protagonista e consegue divertir, algo que nem sempre pode ser dito dos longas mais recentes da editora.

    Mais importante, a obra mantém o clima épico apesar de dispensar o tom pesado imposto por Zack Snyder e faz isso sem precisar se render à comédia da Marvel. Mulher-maravilha encontrou um discurso próprio em meio a tantas fórmulas de sucesso e traz algo realmente novo para os filmes baseados em quadrinhos.

    Não se engane, o filme é um drama de guerra com elementos de espionagem e, apesar da trama mostrar o treinamento de Diana e como ela entra no mundo cruel dos humanos, em meio ao caos do maior conflito que a humanidade já viu até então, ele traz elementos suficientemente novos para fazer aquela jornada de descobrimento valer a pena e não soar como algo repetitivo.

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    A forma como a mitologia é abordada com naturalidade e elementos fantásticos como seu laço e braceletes são introduzidos organicamente, sem exagerar na mão e nem esconder a origem da personagem, é um grande trunfo da obra. As cenas na ilha das Amazonas são ótimas, a chegada de Steve Trevor (Chris Pine) e a ida de Diana a Londres são bem montadas e a atuação da Mulher-Maravilha na primeira guerra mundial é memorável.

    O longa funciona melhor quando vemos a reação de Diana ao mundo moderno, tanto dentro quanto fora de combate. Ela tenta entender tudo aquilo, expressa repugnância em relação a muito do que vê e demonstra sabedoria suficiente para entender tudo à sua volta a ponto de perceber que precisa se impor contra a tirania e injustiça. O mais interessante é que, desde o início, ela parece muito à frente do seu tempo (mesmo para os dias de hoje).

    Gal Gadot encanta mais uma vez como a protagonista. Seu jeito ingênuo e bondoso é capaz de conquistar o espectador, mesmo quando sua atuação não é tão convincente quanto poderia. Além disso, Chris Pine está muito bem como Steve Trevor (seu charme ajuda), e o mesmo acontece com Connie Nielsen como Rainha Hipólita e Robin Wright como General Antiope.

    O longa peca mesmo nos vilões, como já virou padrão em adaptações de HQs. Tanto Elena Anaya como Doutora Veneno quanto Danny Huston como General Erich Ludendorff não acharam o tom correto e ficam muito caricatos, muitas vezes atrapalhando a imersão criada pela boa trama. Entretanto, o verdadeiro antagonista da obra é a guerra e a capacidade da humanidade de causar o mal aos seus semelhantes.

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    E apesar do bom design de produção com cenários realistas e fotografia sem a escuridão exagerada característica dos filmes atuais da DC, os efeitos visuais por computação nem sempre estão à altura da importância do longa. Além disso, o exagero de músicas para emocionar é um ponto que poderia ser considerado negativo, mas as boas composições acabam por ajudar no tom épico proposital da obra, então tudo bem.

    Dito isso, a maioria das cenas de luta da Mulher-Maravilha são muito bem feitas, com pulos e golpes bem coreografados, alternância entre posições de ataque e defesa, afinal ela não é invulnerável como o Superman e precisa desviar de golpes, como Batman, mas com muito mais força / agilidade do que Bruce Wayne é capaz. Ou seja, seu estilo de luta é realmente cativante.

    Sem dúvida, Mulher-maravilha é um filme sobre empoderamento e feminismo, com uma protagonista que sabe o que quer e luta para conseguir o que deseja, sem se importar com o que os outros pensam. Mais importante, Diana é uma mulher real, com falhas, sentimentos e ambições e tem muito mais profundidade do que costumamos ver nesse subgênero. Nesse ponto, vale destaque para a forma como o romance de Steve Trevor e Diana se desenvolve de forma realista e delicada.

    Apesar do fraco final, incapaz de manter a qualidade dos outros dois terços da obra, Mulher-Maravilha é o melhor filme do recém-criado universo da DC Comics no cinema. Com foco no desenvolvimento de sua protagonista e na relação dela com um mundo novo e caótico, a trama traz imagens poderosas e questões dignas da importância da maior heroína de todos os tempos.



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