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    MULHER-MARAVILHA 1984

    Mulher-Maravilha 1984 chega aos cinemas não como o melhor presente de Natal que qualquer um poderia ganhar.
    Por Daniel Reininger
    15/12/2020 - Atualizado há 7 meses

    O ano de 1984 foi maluco, com muitas novidades culturais, tecnológicas e acontecimentos históricos, mas certamente está longe da loucura que foi 2020. Nesse ano conturbado, Mulher-Maravilha 1984 chega aos cinemas não só como o melhor presente de Natal que qualquer um poderia ganhar, mas também como um sinal de esperança de dias melhores.

    Ambientada nos anos 80, a trama traz dilemas como o lugar da heroína no mundo, a situação da humanidade nessa época conturbada, a ganância desenfreada que leva ao crescimento financeiro irresponsável e, eventualmente, a um grande colapso, além de ser o auge da Guerra Fria.

    Central em boa parte dessas questões está Maxwell Lord (Pedro Pascal), um executivo inescrupuloso e manipulador. Além disso, o filme gira em torno do relacionamento entre Diana Prince (Gal Gadot) e Barbara Ann Minerva (Kristen Wiig), uma arqueóloga que, nos quadrinhos, é obcecada em encontrar a lendária cidade perdida de Urzkartaga. Depois de encontrar a cidade e a deusa que mora lá, Barbara Ann é transformada na Mulher-Leopardo. No longa, as coisas são mais simples: Barbara e Diana encontram uma Pedra dos Desejos, que concede às duas o que elas mais querem (provavelmente você já imaginou o que a amazona pede).

    É difícil uma sequência superar o original, mas Mulher-Maravilha 1984 faz isso em muitos aspectos. É um filme mais fluido, com uma narrativa atual e com espaço para o desenvolvimento dos personagens, especialmente dos vilões. O mais importante é o roteiro, muito mais preocupado em mostrar a humanidade de Diana e colocá-la para lidar com diferentes questões de sua vida e do mundo à sua volta.

    As cenas de ação continuam inspiradas, com lutas bem coreografadas e empolgantes. Os duelos entre Diana e Minerva são muito bem filmados e cheios de reviravoltas, saciando a vontade do público de ver bons combates. O lado bom é que, pela forma como a história foi construída, o final tem espaço para ser diferente da pancadaria desnecessária do filme original e podemos ver Mulher-Maravilha resolver problemas com empatia e inteligência. Muito mais a ver com essa versão da heroína.

    Como você já deve ter imaginado, o longa é lindo visualmente, muito bem iluminado e cheio de cores, algo ainda raro para a DC no cinema. Os cenários e figurinos foram recriados com precisão e realmente nos sentimos na década de 80, uma época vibrante, onde tudo parecia possível. A trilha sonora ajuda essa sensação com composições que garantem o clima. E, claro, o tema clássico da amazona está de volta, para alegria de todos.

    O longa funciona também pelos ótimos antagonistas, aprofundados e longe de parecerem caricaturas. Maxwell Lord é o grande problema da vez, embora suas intenções não sejam, de fato, malignas. A ambiguidade de seu personagem e suas motivações o fazem muito humano, mas ainda assim uma enorme ameaça. E Pascal (The Mandalorian) faz um trabalho memorável no papel do antagonista, a ponto de eu não conseguir imaginar Lord vivido por outro ator.

    Já a Mulher-Leopardo é uma das mais antigas antagonistas da amazona e vê-la na tela é um momento especial para os fãs das HQs. Ela é perfeita para as telas, afinal possui força e agilidade sobre-humanas, visão noturna aguçada e garras afiadas que garante combates insanos. Criada por William Moulton Marston, idealizador da Mulher Maravilha, e H. G. Peter, a personagem representa a loucura da inveja.

    A vilã vivida por Kristen Wiig (Caça-fantasmas) é a versão mais moderna da antagonista e também mais humana, com motivações claras e egoístas. A atriz faz um ótimo trabalho tanto em viver a tímida e bondosa Barbara, até a transformação completa em predadora máxima.

    Valeu a espera por Mulher-Maravilha 1984 que é...maravilhoso, com o perdão da brincadeira. Com visuais deslumbrantes e questões emocionais profundas, o longa está repleto de charme e momentos marcantes ao mostrar uma história humana e bela de Diana Prince. Eu amo o primeiro filme, mas gosto do segundo ainda mais, por ser uma sequência vibrante e envolvente, capaz de usar o que funcionou no passado e ainda trazer algo único. Sem dúvida, o presente que 2020 precisava nos cinemas para levantar o ânimo de todos ao redor do mundo.