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    MUSICAGEN

    Por Angélica Bito
    26/09/2008

    A ironia e humor em Musicagen fica somente no material de divulgação. Definido como "um filme de dois caras" - referência aos diretores, Edu Felistoque e Nereu Cerdeira -, mostra-se mais travado do que a proposta, resultando num longa-metragem que deve atrair um público bastante restrito. Ao indagar a questão da definição do que é música, a produção é atraente somente aos apaixonados por música - que as produzem ou somente as ouvem.

    As câmeras do documentário acompanham o pesquisador e construtor de instrumentos Fernando Sardo, especializado na criação de instrumentos musicais a partir de sucata. Embalagens de perfume, canos de PVC, latas de biscoito e outros objetos abandonados no lixo servem de material para que ele construa objetos que produzam melodia. Os diretores acompanham a reação de músicos profissionais - como André Abujamra, o maestro Júlio Medaglia, o sambista Seu Nenê da Vila Matilde, o rapper Thaíde e a violonista Badi Assad - aos instrumentos criados por Sardi, ao mesmo tempo em que proporcionam o encontro do principal personagem do documentário e estes músicos, nos quais improvisam sessões musicais.

    A proposta inicial de Musicagen é bastante interessante, como qualquer discussão referente às artes. No entanto, o fato do documentário esquecer a proposta em si e girar somente em torno de Sardo faz com que ele perca em profundidade. Não se apresentam muitos elementos de discussão relacionados à pergunta inicial - o que é música? -, tornando a proposta perdida em meio a instrumentos de sucata e sonoridades experimentais. Nada contra a experimentação, muito pelo contrário, mas falta profundidade à questão. No fim das contas, a elucubração em torno da música é o que leva o público restrito que pode ser atraído pelo documentário.