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    MUTUM

    Por Celso Sabadin
    15/11/2007

    O interior de Minas Gerais - amplo, calado, fechado, pensativo, desconfiado - é a pedra fundamental do belo drama Mutum, filme dirigido por Sandra Kogut (a mesma de Passaporte Húngaro), com roteiro escrito a partir da obra de Guimarães Rosa.

    Do meio do nada, num silêncio sepulcral, "(sobre) vive" uma pequena família rural. O pai (João Miguel, de Cinema, Aspirina e Urubus) está quase sempre distante, na roça, e a mãe (Izadora Fernandes) cuida da cozinha e da prole. A figura do garoto Felipe (Wallisson Felipe Leal Barroso) começa a chamar a atenção: ele não parece tão esperto, inteligente ou tão ativo quando as outras crianças. Felipe vive a vida devagar e tem no tio (Rômulo Braga) e no irmão mais velho, Thiago (Thiago da Silva Mariz), seus maiores amigos e ídolos. A civilização e as referências externas parecem sequer existir. O pequeno mundo de Felipe começa a ruir a partir de uma traição familiar e logo se precipita para uma tristeza tão imensa quanto o próprio descampado onde vive.
    Mutum (significa mudo e é também o nome de um pássaro da região, embora isso não seja dito no filme) tem uma narrativa introspectiva e árida como o próprio tema do roteiro exige. É belíssimo em seu silêncio e riquíssimo em suas emoções. E triste. Muito triste.

    Vencedor do prêmio de melhor Filme na mostra Première Brasil no último Festival do Rio e participante da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Mutum é um oásis de reflexão e sobriedade num momento cinematográfico dominado por tiroteios e trilhas sonoras ensandecedoras. Uma paz para os ouvidos e um bálsamo para a alma.