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    NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS

    Sem diálogos, filme se sustenta na força de suas imagens
    Por Roberto Guerra
    25/07/2013

    Filme de poucas palavras e de um personagem só, Na Quadrada das Águas Perdidas traz Matheus Nachtergaele interpretando Olegário, sitiante que sobrevive na aridez de um pedaço de chão no interior nordestino. Uma retificação: dizer que este filme tem apenas um personagem é desacerto. Olegário divide a cena com a caatinga e esta torna-se coadjuvante imprescindível, não apenas cenário da jornada do herói.

    O encontramos partindo de casa rumo ao lugarejo mais próximo para trocar os poucos animais que possui por comida. O ambiente cercado de vida que o circunda também pode significar a morte, que o acompanha representada por um urubu, sempre a espreita aguardando que ele ou um de seus animais sucumba. As dificuldades e perigos são muitos: a carroça que quebra, cobras que perscrutam sorrateiras, a água nunca fácil de achar.

    O longa aposta na comunicação pelas imagens e na musicalidade – a trilha sonora é excelente - para narrar as desventuras de Olegário, que ao longo do caminho é fustigado cruelmente pelo ambiente hostil, mas habilmente dele consegue tirar sua sobrevivência. Neste ponto o filme torna-se universal, mesmo que tratando de personagem típico do Nordeste brasileiro. Olegário é antes de tudo um humano confrontando a nem sempre amistosa natureza.

    Como é natural em produção com quase nenhuma fala e centrada em único personagem, exige-se muito de Nachtergaele. E ele corresponde, levando à telona uma atuação autêntica, extremamente emocional e expressiva. No terço final do filme há certa teatralização da interpretação e também exagero nas alegorias - algumas não muito claras - que o filme propõe, mas nada que prejudique a experiência genuína que é assistir à Na Quadrada das Águas Perdidas

    Em tempo: o título do filme é o mesmo do álbum homônimo do baiano Elomar Figueira de Melo, gravado em 1978. O disco recebeu o prêmio da crítica de melhor disco da década de 70 pela APCA. O próprio Elomar assina a trilha ao lado de Geraldo Azevedo e o Grupo Matingueiros.