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    NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÕES

    Kitsch, comédia peca na tentativa de emocionar
    Por Ana Carolina Addario
    02/07/2014

    A comédia Não Aceitamos Devoluções é a maior bilheteria que um filme mexicano já emplacou nos Estados Unidos. Seu resultado provocou um frisson em torno do mundo que, de maneira geral, entende o mercado norte-americano como referência. Além da grande expectativa, o longa de Eugenio Derbez não é mais do que uma comédia (com boas piadas sim) que abruptamente se transforma em um dramalhão.

    Valentin sempre levou uma vida despreocupada no México, saindo com várias mulheres e alternando entre pequenos trabalhos. Um dia, uma de suas diversas amantes por um dia bate à sua porta e lhe deixa um bebê, dizendo ser sua filha. Apesar da surpresa inicial, Valentin se muda para os Estados Unidos e cria a pequena Maggie durante vários anos, tornando-se um homem responsável e encontrando um emprego fixo como dublê em filmes de ação. Seis anos mais tarde, a mãe de Maggie reaparece, com a intenção de levar a filha de volta com ela.

    A passagem do garotão da síndrome de Peter Pan, que não quer crescer a nenhum custo, para a vida de um homem responsável com uma criança para cuidar não é exatamente uma novidade. Pegue as trapalhadas de Três Solteirões E Um Bebê e misture uma boa dose de Se Beber, Não Case!: pronto, temos o tom inicial deste filme. A fotografia é kitsch, um tanto cafona e caricata, ajuda a compor a comicidade da história, que marca o primeiro ato do longa de Derbez.

    Se o termo não fosse antigo, seria possível afirmar que foi pensando em Não Aceitamos Devoluções que inventaram a expressão plot twist. A oportunidade de fazer uma piada é sustentada durante todo o filme: vezes com sucesso, e outras nem tanto. Mas sem o menor anúncio, a comédia se transforma em um drama cujas diretrizes só ganham definições nos últimos minutos do longa. Ser surpreendido por um filme é uma experiência sempre positiva, mas aqui temos a impressão de um roteiro confuso com uma passagem abrupta para um dramalhão, e no melhor estilo mexicano.

    De maneira geral, Não Aceitamos Devoluções possui boas passagens e ótimos diálogos, sobretudo no primeiro momento do filme, mais dedicado à comédia - as atuações também são bastante cômicas. Mas a carga dramática que o diretor emprega na história no segundo ato deixa dúvida sobre a real necessidade de transformar boas risadas em uma tentativa frustrada de emocionar. Poderia ser dramaticamente mais sutil e continuar investindo no humor e acertando até o final.