Poster de Não Vamos Pagar Nada

NÃO VAMOS PAGAR NADA

(Não vamos pagar nada)

2020 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 08/10/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • João Fonseca

    Equipe técnica

    Roteiro: Renato Fagundes

    Produção: Luiz Noronha

    Fotografia: Julio Costantini

    Trilha Sonora: Fabiano Krieger

    Estúdio: A Fábrica

    Montador: Bernardo Pimenta

    Distribuidora: H2O Filmes

    Elenco

    Criolo, Edmilson Filho, Fernando Caruso, Flavia Reis, Flavio Bauraqui, Leandro Soares, Paulinho Serra, Samantha Schmütz

  • Crítica

    13/10/2020 15h37

    Por Daniel Reininger

    Não Vamos Pagar Nada parece ter adivinhado a crise de 2020, com a volta da inflação. A comédia faz piada com a situação vivida principalmente nos anos 80 e 90, mas não poderia ser mais atual. Com críticas sociais relevantes, o filme é praticamente um único sketch de 90 minutos que faz rir, mas também gera reflexões profundas.

    Não que essa fosse a intenção original do longa, mas a situação atual do país gera isso inadvertidamente, o que se torna um ponto positivo para a comédia nacional estrelada por Samantha Schmutz (Vai Que Cola - O Filme), com estreia marcada para essa semana nos cinemas. Com humor e leveza, o longa acompanha a dona de casa Antônia, que faz malabarismos para viver com pouco dinheiro sem perder o bom humor, mas que, sem querer, causa uma revolução no mercado.

    Baseado na peça italiana criada por Dario Fo, o roteiro de Renato Fagundes foca no baixo poder aquisitivo das classes mais pobres. A história retrata o Brasil com um olhar ácido, mas esperançoso, como foco na desigualdade e relações de poder nas sociedades contemporâneas.

    Na trama, Antônia está desempregada e administra a casa simples em que mora com o marido, João (Edmilson Filho), um sujeito certinho e muito religioso. A história começa quando ela vai ao mercado e percebe que seu dinheiro não vai dar nem para comprar o básico. Tudo aumentou de preço e, para piorar, o novo dono do único mercado do bairro é um sujeito sem coração, que não aceita fiado.

    Num grito de guerra, ela avisa: "Nós não vamos pagar nada!" e incita os outros clientes à luta. Na confusão, Antônia se empolga e também leva tudo o que vê pela frente: legumes, verduras, frutas e até alpiste e carne enlatada para cachorro. Agora, ela vai precisar de muito jogo de cintura para esconder essa loucura do marido e ainda driblar os policiais que invadiram seu bairro a procura dos "baderneiros".

    Com direção do premiado diretor de teatro João Fonseca e roteiro de Renato Fagundes (Vai Que Cola 2 - O Começo), o longa traz um animado tom teatral. O formato funciona para o tom da história exagerada e cheia de atuações caricatas, com diálogo rápido e muita improvisação.

    O elenco funciona bem para essa dinâmica e interage com muita sintonia. Além de Samantha e Edmilson, o filme também traz Flávia Reis (Vai Que Cola - O Filme), Leandro Soares (Tamo Junto), Fernando Caruso (Odeio O Dia Dos Namorados) e Flavio Bauraqui (Nise - O Coração Da Loucura). Todos entram no clima da piada, sem deixar de lado seus papéis na trama. E a cada nova reviravolta, o elenco deixa muito claro a indignação com empresários capitalistas, principalmente aqueles que não pensam nos pobres e só querem tirar vantagem a todo custo.

    O longa introduz bem diversos elementos bem brasileiros, desde os cenários, personagens e temáticas. Além disso, resolve os percalços com situações bem comuns para os amantes de programas como Zorra Total, Sai de Baixo ou Vai que Cola, planos improvisados sem muito sentido, mas engraçados de ver o desenrolar.

    Não Vamos Pagar Nada tem tudo para fazer sucesso nos cinemas, ao usar uma linguagem amada pelo público brasileiro e capaz de arrancar risadas até dos mais durões. As questões sociais são a cereja do bolo e quem prestar atenção às críticas presentes em praticamente todos os diálogos terá muito para refletir após o encerramento, que ainda guarda um momento marcante ao som de Caetano Veloso.



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