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    NATIMORTO

    Baseado em livro de Lourenço Mutarelli, filme traz experiência claustrofóbica<br />
    Por Celso Sabadin
    25/04/2011

    Ele é franzino, feio, inseguro, e assexuado. Ou pelo menos quer ser. Ela é jovem, exuberante, bonita e cheia de sonhos. Nenhum dos dois tem nome. Entre ambos, um ponto em comum: fumam como dois franceses! O que levaria este casal tão improvável a optar por uma vida de reclusão, trancafiados num decadente quarto de hotel?

    A resposta você não verá em Natimorto, intrigante filme dirigido por Paulo Machline, a partir do livro homônimo de Lourenço Mutarelli (o mesmo autor de O Cheiro do Ralo). É o próprio Mutarelli, inclusive, que interpreta o homem sem nome. A mulher, igualmente anônima, é vivida por Simone Spoladore, em grande momento.

    Natimorto se ocupa muito mais em provocar perguntas que oferecer respostas. Explora o confinamento claustrofóbico de personagens que transitam com total desenvoltura entre o verossímil e o totalmente fantasioso. Propõe uma situação limite. Enfoca uma relação simbiótica onde ele busca um isolamento mórbido enquanto ela procura uma sombra segura para desabrochar. E deixam seus futuros serem regidos por ícones tão improváveis como um baralho de tarô ou, pior, as imagens de advertência que o Ministério da Saúde estampa nas embalagens de cigarros. Quem pautaria sua vida por informações fornecidas por um Ministério? Mistério.

    Num primeiro momento, teme-se por um filme teatral. Não exatamente pela sua unidade cênica, mas pela interpretação claudicante de Mutarelli, bastante fraca nos primeiros minutos. Aos poucos, porém, de alguma forma este defeito é corrigido, e prevalecem na tela a atraente estranheza pelos personagens e a bela fotografia de Lito Mendes da Rocha.

    O livro Natimorto, que leva o irônico subtítulo de Um Musical Silencioso, já havia sido levado ao teatro em adaptação de Mário Bortolotto. Chega agora ao cinema repleto de sarcasmo e envolto por um fascinante charme decadente. A experiência requer esforço do espectador, que será recompensado se embarcar na viagem.