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    NEED FOR SPEED

    Filme não é digno da franquia de videogames
    Por Daniel Reininger
    11/03/2014

    Need for Speed é a franquia mais bem-sucedida dos games de corrida, com mais de 140 milhões de cópias vendidas e dezenas de títulos lançados ao longo de 20 anos. Repleto de disputas clandestinas e fugas alucinadas da polícia, diversão sempre foi o ponto principal. Por isso mesmo, levar essa adrenalina toda para as telonas não parecia uma ideia tão péssima assim, até agora.

    O problema começa logo pela trama genérica: dono de mecânica de modificações de automóveis e piloto de corridas ilegais é preso após a morte de seu melhor amigo. Quando sai da cadeia, busca vingança contra quem armou para ele. Essa premissa básica, divulgada na sinopse oficial, ocupa mais da metade do tempo na tela, enquanto a outra metade trata apenas do acerto de contas entre os envolvidos.

    Não bastasse a história tediosa, a tentativa de proporcionar tom épico não se encaixa e o roteiro cheio de furos (ou seriam buracos negros?) não ajuda. Dá até saudades de qualquer um dos Velozes e Furiosos. Nem mesmo o simpático Aaron Paul, astro da série Breaking Bad, consegue salvar o filme.

    O rapaz interpreta Tobey Marshall, jovem que vai em busca de vingança por meio de uma corrida organizada por um milionário misterioso (Michael Keaton). Ele se junta à executiva britânica Julia (Imogen Poots), cujo chefe aceita emprestar o carro mais raro de sua coleção a um ex-presidiário sem muitas explicações. Essa situação improvável ao menos serve para unir a dupla, que garante bons momentos enquanto viaja através dos EUA.

    Como era de se esperar, acrobacias garantem adrenalina – como durante a interessante cena envolvendo um helicóptero militar. É claro que os carros são animais e qualquer amante de velocidade vai curtir vê-los em ação. O longa tenta até fazer referências a títulos específicos, como NFS: Hot Pursuit, e, apesar de nem sempre funcionarem, devem animar os fãs.

    Entretanto, os bons momentos são raros e mesmo as corridas ficam aquém das expectativas, afinal são muito longas e perdem tempo demais com drifts (derrapadas) e disputas em meio ao tráfego local. Nesse ponto, Velozes e Furiosos faz melhor e até mesmo Drive, com suas poucas cenas de velocidade, consegue ser mais empolgante. Clichês, diálogos infantis, cenas desnecessárias e reviravoltas previsíveis terminam de enterrar essa superprodução.

    Para mim está óbvio que os produtores não se esforçaram para fazer algo digno da franquia de videogames. Parece que eles esperam que o longa conquiste público simplesmente pelo nome famoso. Isso deve acontecer, de fato, afinal muitos fãs dos jogos e da velocidade irão ao cinema apenas para descobrir do que se trata esse tal de Need for Speed – o Filme.

    Embora Hollywood (leia-se Marvel) tenha finalmente aprendido a adaptar histórias de super-heróis, parece que os jogos estão fadados a continuar no limbo por enquanto. Só resta temer por Uncharted, Last of Us, Assassin's Creeds e outras obras-primas dos consoles que devem chegar aos cinemas nos próximos anos.