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    NEM TUDO É O QUE PARECE

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Existem filmes que são muito mais interessantes em função da maneira pela qual contam suas histórias, que propriamente pela história contada. Nem Tudo é o Que Parece é um destes filmes. Uma rápida olhada na sinopse se mostra pouco animadora: a trama fala de um traficante (cujo nome nunca é revelado) que enriqueceu graças aos seus negócios movidos a ecstasy e cocaína. Agora, ele quer se aposentar para curtir a vida. Obviamente, seu patrão lhe encomenda a famosa "última missão" da qual ele não poderá escapar. Tem sabor de clichê, certo? Pois é: nem tudo é o que parece.

    Se o roteiro do estreante J.J.Connolly (baseado em seu próprio livro) não chega a ser exatamente uma novidade, a direção do também estreante Matthew Vaughn chama a atenção. Buscando ângulos de câmera inusitados, usando e abusando do típico humor cínico dos britânicos e trabalhando a montagem com destreza e habilidade, Vaugh nitidamente usa todas as lições que aprendeu quando produziu Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1999) e Snatch - Porcos e Diamantes (2000). Sim, porque ele pode dirigir seu primeiro filme somente agora, mas como produtor esteve totalmente envolvido nestes dois sucessos, dos quais claramente bebe na fonte do estilo.

    Quem gostou de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e de Snatch - Porcos e Diamantes certamente também vai curtir Nem Tudo é o Que Parece. Eles parecem até uma trilogia, com vários pontos em comum: trama ambientada no submundo, personagens brutos, amorais e divertidos, altas doses de sarcasmo inglês, estilo cinematográfico apurado e uma forte crítica contra a indústria do crime.