cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    NO (2012)

    O filme é um retrato eficiente da campanha política que tirou Pinochet do poder chileno. <br />
    Por Roberto Guerra
    25/12/2012

    Este é um filme, mas também uma eficiente máquina do tempo. Basta começar para sermos transportados para o Chile do final da década de 1980, com o país vivenciando a chance de se livrar do ditador Augusto Pinochet. Vítima de pressões internacionais, o indigesto general resolve convocar um referendo sobre seu mandato. As opções são duas: votar por sua continuidade no poder ou "não", daí o título do filme.

    Pinochet não tinha dúvidas de que iria ganhar. Seu grande erro. Quando os militares depuseram Salvador Allende, o país estava mergulhado numa crise econômica sem precedentes depois que o presidente tentou revolucionar o Chile pela via do socialismo e terminou por se suicidar no Palácio La Moneda, com um tiro de fuzil AK-47 na cabeça, presente de seu amigo, o ditador Fidel Castro, que disse tempos depois: “Nunca um fuzil foi usado por mãos tão heroicas”.

    Pinochet, de fato, conseguiu promover um grande desenvolvimento econômico no país após derrubar Allende, o que não era difícil, tendo em vista que o país estava submerso na miséria depois que o presidente socialista nacionalizou fazendas e indústrias, promovendo desabastecimento e inflação. O Chile vivia um caos quando Allende e seus asseclas planejaram um autogolpe, que instituiria a ditadura do proletariado e sepultaria de vez a democracia no Chille. Só não deu certo porque os militares se anteciparam e instituíram sua ditadura, que fez o mesmo.

    Como Cuba e Venezuela – só para citar exemplos recentes - não nos deixa esquecer, qualquer tipo de ditadura, de tentativa de perpetuação no poder, é nefasta, seja ela promovida pela direita ou esquerda. Pinochet tirou o país do abismo econômico no qual mergulhava, mas a um custo muito alto: a supressão da liberdade e o massacre de quem se opunha a suas ideias, assim como fez Fidel Castro e faz, atualmente, o fanfarrão Hugo Chávez.

    O resultado não poderia ser outro. No plebiscito, o “não” a Pinochet foi exitoso. E o motivo é um só: sob a perspectiva da volta da miséria imposta por Allende ou a falta de liberdade, os chilenos votaram pela liberdade, essa necessidade dos humanos tolhida de forma violenta pelo ditador chileno, como seria também subjugada pela ditadura natimorta intencionada por Allende mais cedo ou mais tarde.

    No trata da disputa entre a campanha pelo “sim”, a manutenção de Pinochet no poder, ou o “No”, que representaria sua saída. Na trama, conhecemos o jovem publicitário René Saavedra (Gael Garcia Bernal) que, com pouquíssimos recursos e permanente vigilância dos guardas de Pinochet, cria um audacioso plano para vencer a eleição e libertar seu país da opressão.

    Sem o tom pesado dos filmes que abordam política no Brasil costumam ter, No faz um retrato eficiente de como se desenrolou a campanha política desse plebiscito que tirou Pinochet do poder. A grande sacada do diretor Pablo Larrain, que desejava mesclar imagens reais da época a seu filme, foi filmar todo seu projeto com os mesmos equipamentos de captação de imagem disponíveis no período.

    Isso faz de No um filme sem a qualidade e nitidez de imagem modernas, o que é ótimo, pois ajuda o espectador a de fato fazer uma viagem no tempo, como citei no início deste texto, voltando à década de 1980 e se imbuindo de um momento histórico importante da nação chilena.