No Limite do Amanhã

NO LIMITE DO AMANHÃ

(The Edge of Tomorrow)

2014 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 29/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Doug Liman

    Equipe técnica

    Roteiro: Alex Kurtzman, Christopher McQuarrie, Joby Harold, Roberto Orci

    Produção: Erwin Stoff, Gregory Jacobs, Jason Hoffs, Joby Harold

    Fotografia: Dion Beebe

    Trilha Sonora: Christophe Beck

    Estúdio: 3 Arts Entertainment, Village Roadshow Pictures

    Montador: James Herbert

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Bill Paxton, Brendan Gleeson, Charlotte Riley, Dragomir Mrsic, Emily Blunt, Franz Drameh, Jeremy Piven, Jonas Armstrong, Kick Gurry, Madeleine Mantock, Tom Cruise, Tony Way

  • Crítica

    28/05/2014 12h50

    Por Daniel Reininger

    No Limite do Amanhã marca uma das melhores atuações de Tom Cruise nos últimos anos. Com personagem mais complexo do que em seus papeis recentes, o ator mostra que ainda pode repetir o desempenho de filmes como Jerry Maguire - A Grande Virada. Quem ganha com isso é a inteligente ficção cientifica dirigida por Doug Liman (A Identidade Bourne), que trata de viagem no tempo com seriedade e ainda garante boas cenas de ação no melhor estilo anime, apesar dos clichês.

    Na trama, baseada no mangá All You Need is Kill, a Terra é invadida por seres chamados Mimics. Cage (Cruise) é um soldado que nunca entrou em combate, afinal trabalha na área de relações públicas do exército. Quando a grande batalha se aproxima, ele é escalado para a linha de frente para cobrir a possível vitória, mas após ser morto, acorda novamente no dia anterior. Aos poucos, percebe estar preso em um loop temporal. Com a ajuda de Rita Vrataski (Emily Blunt), melhor guerreira da Unidade Americana de Defesa, tenta descobrir o segredo de sua habilidade e percebe que tem nas mãos uma arma poderosa.

    A narrativa pode parecer confusa, mas a trama é tratada de forma direta. Quem assistiu a Feitiço Do Tempo logo percebe semelhanças com o filme de 1993. A edição mantém o ritmo interessante: mesmo com inúmeras repetições de cada situação, percebe-se a passagem do tempo em detalhes como a exaustão apresentada pelo personagem. O início pode ser cansativo, mas serve para deixar claro o funcionamento do poder de Cage e sua possibilidade para mudar o curso da guerra.

    Além disso, o cineasta entende que o protagonista não é um robô que pode lutar e morrer todos os dias sem se abater. Por isso mesmo ele enfrenta crises existenciais, momentos de cansaço e frustração, aproveitados por Cruise para mostrar um bom trabalho, assim como Emily Blunt, eficiente no papel da energética e nada sentimental Vrataski.

    O inteligente roteiro de Christopher McQuarrie (Os Suspeitos) cria uma atmosfera semelhante ao de Tropas Estelares, de Paul Verhoeven, mas faz melhor uso da tecnologia futurista para deixar o combate ainda mais divertido. É fato que o filme seria outro sem a presença do exoesqueleto similar ao visto recentemente em Elysium, e, como no filme estrelado por Matt Damon, garante cenas engenhosas, comuns atualmente apenas em jogos e animes.

    Os Mimics são outro elemento interessante: criaturas metálicas altamente tecnológicas, cuja origem e propósito são um mistério. O visual deles impressiona, assim como sua movimentação em combate. Mas o filme falha ao não desenvolver melhor esses oponentes: eles são tratados apenas como os monstros a serem vencidos e, assim, a produção perde a chance de explorar esse complexo inimigo e expandir o universo do longa.

    Exagero de clichês é outro grande problema. No Limite do Amanhã está cheio de situações óbvias que poderiam ser evitadas, como boa parte da narrativa faz tão bem. Entretanto, Hollywood precisa da presença de certos elementos para deixar seus produtores felizes - e o filme sofre com isso. Muitos desses momentos estão relacionados ao desenvolvimento da trama, por isso entrar em detalhes seria impossível sem spoilers, mas basta dizer que Oblivion, também estrelado por Tom Cruise, sofre com questões similares.

    Apesar dos problemas, No Limite do Amanhã é um bom exemplo de blockbuster que diverte sem subestimar o espectador. O longa deixa passar algumas oportunidades, mas ainda se destaca pelo humor na medida certa e suspense criado em volta de problemas complexos que podem, ou não, ser resolvidos por meio da repetição. Questões humanas também são importantes e exploram até que ponto a mente aguenta ser levada ao limite. Essa combinação de fatores faz dessa ficção científica uma boa surpresa.



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