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    NOCAUTE

    Pesado e envolvente, ritmo inconsistente atrapalha drama
    Por Daniel Reininger
    10/09/2015

    Em Hollywood, existe uma tradição de grandes atores no papel boxeadores e Jake Gyllenhaal é o mais recente a encarar o desafio. Nocaute é pesado e envolvente, mas suas duas horas de drama se desenrolam de forma lenta e, por vezes, arrastada. Antoine Fuqua (Dia De Treinamento) claramente decidiu dar muita atenção aos detalhes dessa história fictícia sobre o campeão Billy Hope, e tenta desenvolver tensões onde pode, a partir do roteiro simplório de Kurt Sutter (Sons of Anarchy) e Richard Wenk (The Mechanic), que raramente se desvia da fórmula básica das tramas sobre queda e retorno ao auge.

    Logo de cara, Billy (Gyllenhaal) apanha muito, mas mantém seu título mundial – é o primeiro sinal da capacidade de recuperação do personagem. Entretanto, sua esposa Maureen (Rachel Mcadams) teme que se Hope continuar lutando sem se proteger terá graves danos cerebrais. Logo fica claro que a maior fraqueza de Billy é seu comportamento imprudente, o qual vai precisar domar para vencer dentro e fora do ringue.

    Ainda mais quando a vida da família muda rapidamente. Tudo desaba quando o lutador Miguel Escobar (Miguel Gomez), caricaturizado como vilão da história, provoca Billy em uma festa de gala, levando a uma briga. As coisas saem do controle e tiros são disparados, o que resulta em tragédia, claro.

    Deprimido, a fortuna de Hope acaba aos poucos e logo ele chega ao fundo do abismo. O filme é impiedoso e aproveita cada oportunidade para massacrar seu protagonista. Na verdade, essa constante batalha parece até exagerada. Quando tudo parece perdido, ele encontra um salvador improvável em uma academia de bairro: Willis Tick (Forest Whitaker), que, de forma relutante, concorda em empregar e treinar Billy para ajudá-lo a recuperar sua família e reputação. A partir daí, a cada porrada (literal ou não) Billy eleva-se tanto física como emocionalmente.

    O longa não consegue deixar as convenções de Hollywood de lado, então, é claro, que a oportunidade de vingança contra Miguel acontecerá mais cedo ou mais tarde. Só que demora muito para a narrativa chegar lá. Na verdade, Hope só vai encontrar Tick, seu salvador, lá pela metade do filme. O drama toma conta até então, sempre com tom de exagero. Se fosse uma história real, talvez o impacto fosse maior, mas como obra de ficção parece que alguém decidiu que o protagonista deveria apanhar muito a fim de emocionar o público.

    É a atuação de Gyllenhaal e de Whitaker que mantém o interesse do espectador e carrega a produção nas costas. Billy evoca uma fúria crua constante, mas seu personagem também é humano e fácil de simpatizar. A relação de mentor e aluno é a principal característica dessa obra. Quando os dois começam a trabalhar as coisas fluem e, diferente de Whiplash - Em Busca Da Perfeição, a relação é dura, porém saudável. Ambos são dignos de, ao menos, indicações ao Oscar 2016.

    Nocaute não deve ser visto apenas pelas lutas em si, apesar dos combates serem espetaculares. Fuqua cria cenas brutais, cruas, sujas, com brilhante trabalho de câmera com closes cirúrgicos que mostram suor e sangue em detalhes. Embora o drama fora dos ringues nem sempre tenha a mesma qualidade, o longa supera problemas graças a alguns bons elementos, como sua trilha sonora, por exemplo, e é capaz de se transformar em algo bastante interessante.