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    NOEL - POETA DA VILA

    Por Celso Sabadin
    02/11/2007

    A vida do compositor Noel Rosa (1910-1937) foi cinematográfica por natureza. Nela, não faltaram paixões exacerbadas, uma incrível dose de talento, noites não dormidas, um defeito físico no rosto e a morte em plena juventude. Tudo isso tendo como pano de fundo a romântica boemia carioca do início do século 20. Matéria-prima de primeiríssima qualidade para o cinema. Infelizmente, porém, ainda não foi desta vez que a cinematografia nacional ganhou uma bela obra sobre Noel Rosa. O filme Noel - Poeta da Vila, ainda que tenha méritos, está bem aquém da genialidade criativa do grande compositor.

    Dirigido de forma clássica e tradicional por Ricardo Van Steen (realizador do curta Com que Roupa, de 1996), o filme acompanha as trajetórias musical e pessoal de Noel (aliás, indivisíveis), com destaque para dois dos grandes amores de sua vida: a jovem operária Lindaura e a fogosa dançarina Ceci. Tecnicamente, trata-se de um filme digno e bem acabado, mas que deixa no ar uma certa dose de ingenuidade narrativa, como nas antigas cinebiografias hollywoodianas dos anos 40 e 50. As canções, por exemplo, parecem brotar instantaneamente da inspiração do compositor, já prontas, nascidas romântica e abruptamente de um olhar ou um sentimento fugaz. O personagem Mário Lago, por exemplo, se apresenta em cena de forma burocrática, simplesmente verbalizando "Meu nome é Mário Lago". Não poderia haver uma solução de roteiro mais cinematográfica?

    O ator Rafael Raposo, que interpreta Noel, não faz feio. Pode não ser fisicamente muito parecido com o verdadeiro - o que nem é muito importante -, mas tem o carisma, o vigor a e jovialidade necessários ao papel. Talvez o maior problema do filme seja justamente ter optado por uma formatação convencional para retratar um poeta e compositor que passou toda a sua curta vida quebrando estas mesmas formatações.

    A música e a belíssima cena final, contudo, valem o preço do ingresso.