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    NOITE DE ANO NOVO

    Longa com elenco estelar tem texto fraco e carece de situações realmente envolventes<br />
    Por Celso Sabadin
    05/12/2011

    Houve um momento no filme Noite de Ano Novo em que eu me senti no meio do filme de Buñuel. Sabe, aquele no qual as pessoas não conseguem jamais sair de uma festa? Este mesmo. Totalmente sem inspiração, Noite de Ano Novo dá a impressão que não vai acabar nunca, e que todos nós, que estávamos dentro do cinema, iríamos entrar numa espécie de looping de tempo e jamais sairíamos de lá, condenados a assistir ao filme eternamente.

    A fórmula é antiga. Várias histórias românticas, vividas por gente comum, que se entrelaçam e/ou se complementam durante uma véspera de Ano Novo. Um jovem casal fica preso dentro de um elevador, um astro da música tenta recuperar o perdão da mulher amada, dois casais disputam um prêmio oferecido por uma maternidade, um paciente terminal quer sobreviver pelo menos até a virada do ano, uma cinquentona quer viver em um único dia tudo o que não viveu até agora, e assim vai. Tudo emoldurado pelos preparativos do tradicional réveillon na Times Square, em Nova York.

    Nada contra a fórmula em si, que Robert Altman, por exemplo, sabia usar muito bem. Mas o problema aqui é que nada funciona. A começar pelo texto, fraco, carente de situações realmente envolventes, chegando até a ineficaz direção de Garry Marshall (o mesmo de Uma Linda Mulher e Idas e Vindas do Amor), que não consegue criar em seus vários personagens a empatia necessária junto ao público.

    O abuso de clichês chega ao ápice ao utilizar a música “What a Wonderful World” numa cena de maternidade. Tem até aquela famosa tomada de helicóptero sobre a ponte, onde a câmera vai abrindo devagar até revelar que está num... helicóptero (será que é lei nos EUA que toda comédia romântica precisa fazer esta tomada?). Isso sem falar na enxurrada de merchandisings explícitos e mal colocados que constrangeria até a novela das 9 da Globo.

    E olha que o elenco é estelar, incluindo Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Halle Berry, Hilary Swank, Mathew Broderick (numa particiação rápida) e até Jon Bon Jovi, entre outros. Não, desta vez não tem Julia Roberts. Nomes carismáticos desperdiçados pela maior carência que o cinema hollyoodiano tem vivido nos últimos anos: a de bons roteiros. Uma pena.