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    'Noite Passada em Soho' usa temor feminino para apavorar... e consegue!

    Novo longa de Edgar Wright une elementos preciosos do horror com atuações magníficas
    Por Thamires Viana
    17/11/2021 - Atualizado há 18 dias

    Toda vez que um filme de terror chega aos cinemas, os fãs do gênero correm para conferir mais detalhes e saber o que esperar dessa nova produção. Seja os jumpscares, as referências ou até mesmo o enredo abordado já são motivos para alegrar os assíduos por grandes sustos.

    Noite Passada em Soho, novo longa do diretor Edgar Wright, contempla muito do horror sobrenatural para apavorar o seu público, mas algo nele se destaca e causa ainda mais medo: a realidade do temor feminino sobre abusos e assédios sofridos há muitas e muitas décadas.

    Estrelado pelas ótimas Thomasin McKenzie e Anya Taylor-Joy, o filme conta a história de Eloise, uma jovem que sonha em se tornar estilista e tem uma paixão pela Londres dos anos 60. Quando consegue entrar para uma renomada universidade de moda na capital da Inglaterra, ela aluga um quarto no apartamento de uma simpática senhora que reside no Soho. 

    Misteriosamente, Eloise consegue voltar no tempo durante a noite e visitar a década tão adorada por ela, mas o luxo e as luzes da cidade se transformam em um grande pesadelo quando ela tem visões de Sandie, uma aspirante a cantora que sofre com os abusos do namorado e empresário Jack (Matt Smith)

    Cena do filme Noite Passada em SohoReprodução

    Unindo diversos elementos sobrenaturais a outros como bullying, fama, vingança e o mundo da moda, Noite Passada em Soho se perde no início por não saber exatamente onde quer levar sua narrativa, mas a partir do momento em que direciona sua trama para os horrores realistas enfrentados pelas mulheres, Wright trilha um caminho mais assertivo e consegue aprofundar ainda mais as atuações das duas atrizes principais.

    O longa mergulha na abordagem e mostra como as atitudes tóxicas de homens podem acarretar em traumas cada vez maiores na vida delas. Com Sandie, personagem que cresce maravilhosamente em cena, vemos como os abusos psicológicos e as promessas vazias de seu então namorado a fizeram perder o brilho e os desejos de ser uma grande cantora a brilhar pelos palcos, principalmente quando sua ascensão à fama se torna um motivo para Jack levá-la ao mundo da prostituição.

    Cena do filme Noite Passada em SohoReprodução

    A volta ao passado também faz de Noite Passada em Soho um filme nostálgico, com uma trilha sonora brilhante e concepção visual de arrancar suspiro dos apaixonados pela capital inglesa. A direção do britânico — responsável por longas como Em Ritmo de Fuga e Todo Mundo Quase Morto — mostra como Wright, apesar da leve dificuldade em direcionar seu enredo, consegue criar uma trama contemplativa e ao mesmo tempo assustadora. Descrito como terror, o longa ganha forças do gênero somente no segundo ato, mas é o pontapé para manter o público entretido e também assustado com o desenrolar da história.

    Em atuações, as promissoras Taylor-Joy e McKenzie conseguem entregar duas personagens igualmente magníficas, cada uma a sua maneira. McKenzie, de apenas 21 anos, exerce o melhor de si como a estudante millennial totalmente deslocada de sua geração e vai ganhando cada vez mais profundidade enquanto transita entre o moderno e o antigo para compor as alucinações de Eloise. Ao mesmo tempo, Taylor-Joy reafirma seu talento como atriz e mostra um lado sedutor e vingativo que fazem de Sandie uma personalidade diferente de tudo o que a americana já viveu nas telonas. 

    Cena do filme Noite Passada em SohoReprodução

    Noite Passada em Soho é uma daquelas produções que chegam aos cinemas já promovendo divisão de opiniões, mas também trazendo elementos indispensáveis para a composição de um longa que acerta no objetivo de entreter o seu público.