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    NÓS, ELES E EU

    Argentino faz diário de bordo sobre jornada por Israel e Palestina
    Por Iara Vasconcelos
    12/05/2016

    Os conflitos entre Israel e Palestina parecem ser intermináveis. A sangrenta disputa por território é acompanhada de perto por sociólogos e historiadores de todo o mundo e o lado humanitário é o mais preocupante.

    Nos cinemas, o conflito já foi retratado por diversas óticas, tanto fictícias quanto documentais. Em Nós, Eles E Eu, o diretor argentino Nicolás Avruj vê sua viagem à Israel, para visitar um primo e se reconectar com suas tradições, se transformar em uma experiência realista e brutal que pode mudar para sempre os seus preceitos pessoais.

    Nicolás foi criado em uma família judia progressista em Buenos Aires. Chegou a viajar para Israel durante as férias do colégio, mas nunca fora da experiência turística. Tudo que ele queria era resgatar suas raízes e conhecer de perto a origem de suas tradições, mas se depara com uma realidade nada pacífica. Com o objetivo de registrar o cotidiano do país, ele acabou se deparando com uma Israel moderna e com amplo poder bélico enfrentando árabes munidos com pedras e pedaços de madeira.

    O diretor se aventura no lado árabe, sem revelar sua identidade judia ser revelada. Ele fica hospedado na casa de uma família de gaza, ouve sobre as dificuldades em conseguir mantimentos e gasolina, que são enviadas de Israel;conhece pessoas que perderam lares e familiares atingidos pelos mísseis;questiona a legitimidade do território israelense e se choca com discursos extremistas de ambas as partes. Mas se engana quem relacione essa decisão a tentativa de manter a qualidade jornalística dos relatos. Ele também se encontra perplexo e confuso diante da situação.

    Nicólas tem o privilégio de transitar pelos dois lados com liberdade. Ele se depara com israelenses que lutam pela liberdade da palestina, e com aqueles que sequer reconhecem a legitimidade da nação. Esbarra com militantes ferrenhos palestinos, e com aqueles que não conseguem medir a dimensão do conflito.

    Nós, Eles e Eu é um experimento cinematográfico. Avruj vai além do formato tradicional de documentário e faz um diário de bordo de sua viagem à Israel para visitar um primo. As filmagens em baixa qualidade e os recortes brutos, sem preocupação técnica, contribuem para o tom informal e de retrato pessoal presente no filme.

    Nós, Eles e Eu não tem a intenção de apontar mocinhos ou vilões, talvez por isso pareça até ingênuo em sua abordagem. Diferente da jornada ideal, a trajetória de Avruj não soluciona suas dúvidas, mas serve de alimento para a reflexão. Esse resultado não é o ideal quando se trata de um documentário, mas deve suprir a necessidade de informação para aqueles que se sentem tão perdidos quanto o autor.