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    Novo 'Mortal Kombat' copia história de Vingadores para se destacar

    Adaptação do game mantém nível do filme original, mas parece filme de grupo de super-heróis
    Por Daniel Reininger
    18/05/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Mortal Kombat de 1995 ainda é um dos melhores filmes baseado em games produzidos e olha que Hollywood realmente não desiste de apostar no tema. Com esse status, nada mais normal do que o famoso jogo de luta ganhar um remake, com a promessa de atualizar a franquia. Para surpresa de todos, o novo filme consegue manter o nível do original e faz jus aos jogos, de certa forma.

    Não se engane, essa é uma adaptação cinematográfica de um jogo de luta violento com uma premissa fantástica, que se traduz num divertido filme de ação de artes marciais exageradas. Não espere algo profundo ou complexo, obviamente. 

    O longa dirigido pelo estreante diretor Simon McQuoid segue os passos do clássico dirigido por Paul W. S. Anderson e ainda respeita o legado dos jogos, mesmo mudando muita coisa. A trama consegue apresentar o mundo e seus personagens para quem nunca ouviu falar da franquia, mas ainda possui elementos suficientes para os fãs das antigas se deleitarem.

    A melhor cena da produção, com certeza, é a abertura que estabelece a rivalidade icônica entre Scorpion (Hiroyuki Sanada) e Sub-Zero (Joe Taslim). Depois disso, Mortal Kombat demora um pouco para encontrar seu ritmo, derrapando em histórias pouco interessantes. 

    O lance é que sua trama é, basicamente, a mesma de um filme de super-heróis que nunca trabalharam juntos, mas que se reúnem sob comando de alguém influente/poderoso para salvar o mundo. Já vimos isso bastante recentemente, certo?

    Sem tempo para apresentar cada personagem, o filme não aprofunda ninguém. A menos que você esteja familiarizado com os jogos, o tempo de desenvolvimento para os heróis é tão pequeno, que mal sabemos o básico de cada um ao final do filme. Sem falar que o mais importante, o tal torneio Mortal Kombat, mal é explicado. 

    Como resultado, a primeira metade tem um ritmo desajeitado enquanto oscila entre as apresentações dos personagens, cenas de ação aleatórias e explicações expositivas dos motivos assassinos de outro mundo estarem caçando pessoas com uma marca de nascença no formato de dragão.

    Essa dinâmica de filme de super-heróis com foco na união de um supergrupo é uma coisa bem manjada, mas se analisamos quais são as maiores bilheterias da última década, não é complicado entender porque escolheram esse formato e não o de uma história mais próxima do game, com foco no torneio.

    Entretanto, é por isso mesmo que o filme se perde especialmente ao redor do protagonista Cole Young (Lewis Tan) - um lutador de MMA que não vem dos jogos. Apesar de ser um personagem importante para a trama, sua história parece irrelevante e seu relacionamento com sua família é muito mal desenvolvido, incapaz de gerar empatia. 

    É basicamente um peixe fora d'agua que podia, simplesmente, não existir. Entretanto, a relação dele com Scorpion até que é legal, embora forçada demais.

    Mortal Kombat só vai ter alguma personalidade mesmo quando o psicótico Kano (Josh Lawson) é apresentado. O vilão domina cada cena com carisma e ferocidade, embora o papel também sirva como o alívio cômico da trama. Há também uma dinâmica muito divertida e interessante entre ele e o resto do elenco, já que são forçados a trabalhar juntos.

    Depois que todas as apresentações feitas, muitas delas com repetições dos nomes dos personagens por pura insegurança no roteiro, as coisas se intensificam mesmo quando os heróis da Terra descobrem seus poderes especiais. É uma maneira inteligente de contextualizar as habilidades que cada lutador tem nos jogos e também leva a alguns grandes momentos  de personagens como Sonya (Jessica McNamee) e Jax (Mehcad Brooks).

    E tudo isso não seria Mortal Kombat sem sangue. O longa é bem menos violento do que os games, mas há algumas mortes bem legais que, sem dúvida, farão os fãs sorrirem (ou deixarão alguns espectadores em estado de choque). 

    Os efeitos especiais também são ótimos e as lutas são realistas, apenas brincando com os poderes na hora certa para aumentar a brutalidade das artes marciais. Enquanto o visual funciona, a música deixa a desejar. Até tentaram trazer a trilha memorável e cativante do filme de 1995 de volta, mas nenhuma canção realmente marca, nem mesmo a releitura do tema do filme antigo. O que é uma pena.

    Mas isso nem chega perto das duas maiores decepções da obra: O fato de não existir um torneio e a forma como diversos personagens, vários deles famosos, ​​são usados ​​de maneiras idiotas. É triste ver Mileena (Sisi Stringer) reduzida a uma simples capanga, sem nenhum desenvolvido ou diálogo que valha a pena. Fazer personagens icônicos serem apresentados sem a menor importância é um desperdício sem tamanho.

    Além disso, comparar o novo longa com o original é um pouco complicado porque até os games da franquia Mortal Kombat mudaram muito entre 1995 e 2021. O filme de W.S. Anderson fazia sentido com a série na época, enquanto o de McQuoid capta a ideia mais recente dos jogos, além de conversar bem com o cinema de ação da atualidade.

    No geral, o novo Mortal Kombat é um filme mais padrão no sentido do que esperar de uma produção cinematográfica, roteiro padrão, divisão por atos padrão, fotografia padrão, o que é um ponto positivo já que estamos falando de um longa-metragem e não de um jogo de videodame. Além disso, a trama é capaz de nos deixar curiosos com as sequências que podem vir a ser lançadas.

    No final das contas, essa trama inspirada na estrutura dos Vingadores é mais ambiciosa do que cabe num filme de Mortal Kombat. Ignorando muita coisa, desenvolvendo mal outras, o filme deixa muito a desejar do começo ao fim. Entretanto, é inegável que essa é uma boa diversão sem compromisso, principalmente da metade para o final, quando a pancadaria come solta e a narrativa entrega o que esperávamos de um filme de Mortal Kombat.