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    O ACORDO

    Dwayne Johnson é mal escalado, mas elenco de apoio mantém a credibilidade deste drama sobre crime<br />
    Por Daniel Reininger
    17/04/2013

    O pôster e o trailer, além é claro da presença do astro Dwayne Johnson, nos fazem pensar que O Acordo é um agitado filme de ação, porém, a coisa não é bem por aí não. A produção está mais para um drama familiar sobre drogas, daquelas que The Rock não seria a escolha habitual para protagonizar. Mas não se assuste, pois o filme não é uma bomba completa.

    Baseado (bem de leve) na história real do norte-americano James Settembrino, a trama conta a história de John (Dwayne), um pai cujo filho (Rafi Gavron) é sentenciado a dez anos de cadeia por envolvimento com drogas. Para reduzir a sentença do garoto, ele concorda em atuar infiltrado em um perigoso cartel, seguindo a lei de acusação mandatória dos Estados Unidos, que premia delatores com redução automática de pena. Algo parecido com a nossa lei de Delação Premiada.

    Dwayne Johnson foi de fato mal escalado, porém faz um trabalho razoável. Sua principal falha, a falta de expressão, colabora com o papel ao ajudar o personagem a esconder suas verdadeiras intenções dos traficantes. Entretanto, algumas cenas, como as visitas do pai ao filho na prisão, parecem saídas de uma novela mexicana, afinal The Rock não é exatamente um ator e sim ex-campeão de Luta Livre.

    A credibilidade do filme é construída com a ajuda de atores coadjuvantes como Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael Kenneth Williams e Barry Pepper. Seus personagens, bem construídos, estão focados apenas em assegurar seus próprios interesses e fazem John parecer mesmo uma vítima do sistema.

    A narrativa evoca as obras de Michael Mann ao mostrar os dois lados da justiça, escancarando motivações inescrupulosas e abusos dos mocinhos e dos bandidos. Entretanto, a real intenção do diretor Ric Roman Waugh (Felon) é atacar a política de acusação mandatória, propósito que seria melhor transmitido em um documentário. Ele levanta dúvidas sobre a validade da lei, mas as falhas do roteiro colocam o protagonista em situações que comprometem a vida de inocentes, caminho contrário a sua própria crítica.

    Mensagens políticas distorcidas à parte, O Acordo consegue criar tensão o suficiente para divertir. Faz falta um vilão mais intimidador, Benjamin Bratt não convence e nem assusta como homem forte do cartel. Para compensar, a única cena de ação em que Dwayne Johnson pega numa arma já vale o filme. Com uma perseguição digna de Velozes e Furiosos, o ator finalmente faz aquilo que sabe de melhor, afinal escalar The Rock e não explodir nada seria um grande desperdício.