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    O BOM DINOSSAURO

    Mesmo com boa moral, filme sofre com clímax previsível
    Por Iara Vasconcelos
    07/01/2016

    A Pixar é conhecida pela criatividade e qualidade de suas produções, não à toa, o estúdio já ganhou sete estatuetas do Oscar e foi responsável por clássicos como Toy Story, Wall-e, Procurando Nemo e Divertida Mente. Com tantos sucessos, não é de se estranhar que seus filmes sejam esperados com ansiedade, afinal não é fácil manter o alto padrão de suas criações do passado e tropeços são raros.

    O O Bom Dinossauro, mais novo longa do estúdio, é um desses raros tropeços. Não chega a ser um filme ruim, de forma alguma, mas falta aquele algo a mais que faz os filmes da Pixar se destacarem. Desde seu anúncio, em 2009, o filme passou por algumas mudanças cruciais, como a troca de direção, que passou de Bob Peterson, o codiretor de Up - Altas Aventuras, para o estreante em longas-metragens Peter Sohn. Essas alterações culminaram no atraso da produção e tiveram grande impacto na trama principal.

    A história acompanha a amizade entre um menino das cavernas e um Apatossauro chamado Arlo levando em consideração uma realidade em que a Terra não tivesse sido atingida pelo asteroide gigante responsável pela extinção dos dinossauros.

    Arlo sofre por ser o único da família desprovido de características selvagens mostrada por seus pais e seus irmãos. O jovem dinossauro sequer consegue alimentar as galinhas da família - sim, eles possuem uma fazenda - sem se assustar. Disposto a mostrar que também é capaz da mesma bravura, ele se compromete a capturar a criatura que está roubando comida do silo da família.

    Assim como os demais filmes da Pixar, O Bom Dinossauro consegue discutir assuntos pesados, como solidão, morte e até a pressão familiar, mas sem perder o tom de fábula, algo que sempre encantou crianças e adultos. Entretanto, o filme peca pela abordagem punitivista. Sempre que Arlo falha em enfrentar seus medos, algo de ruim acontece, como se ele estivesse sendo punido pela falta de coragem. Esse excessivo "Deus ex machina" deixa a trama um tanto superficial. O roteiro arrastado também não é um atraente para filmes infantis.

    O visual também causa estranhamento. A bela e detalhada paisagem natural - que quase beira a um live-action - se contrasta com as feições "cartunizadas" clássicas de animações tradicionais.

    O ponto alto da produção é a divertida inversão das personalidades do dinossauro e do menino humano. Enquanto Arlo e sua família agem de um modo bastante racional, o garoto é totalmente animalesco e se comporta como um cachorrinho. Algo inusitado, capaz de garantir as melhores cenas da animação.

    Com humor sutil e temas maduros, O Bom Dinossauro valoriza a importância da família e amizade, mas erra pelo clímax previsível e por forçar o tom dramático. Mesmo bastante infantil, pode encantar também aos adultos, além de nos lembrar de que família vai muito além dos laços de sangue, também é algo do coração.