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    O CAÇADOR E A RAINHA DO GELO

    Grande elenco é desperdiçado com narrativa simplória
    Por Daniel Reininger
    18/04/2016
    3/10

    O CAÇADOR E A RAINHA DO GELO

    12
    Aventura

    Branca De Neve E O Caçador está longe de ser uma obra prima, porém foi capaz de entreter (ou pelo menos de não incomodar) quando chegou aos cinemas e fez uma bilheteria considerável de US$ 396 milhões mundialmente, por isso, faria sentido ganhar uma sequência. Só que o diretor daquele filme, Rupert Sanders, um homem casado, se envolveu romanticamente com a atriz Kristen Stewart, na época namorada de Robert Pattinson, e, após grande polêmica, a continuação sofreu grandes mudanças: não teria Branca de Neve e o diretor seria substituído.

    Considerando que o Caçador (Chris Hemsworth) e a Branca de Neve (Stewart) eram os protagonistas e a garota, ainda por cima, deveria ser a nova comandante do reino onde se passa a aventura, fica claro que os roteiristas teriam um problema: Como fazer uma continuação, sem mostrar alguém tão importante?

    Pois é, essa é uma pergunta que O Caçador E A Rainha Do Gelo não conseguiu responder. O filme cita Branca de Neve, a mostra de costas, dá desculpas esfarrapadas, muda a trama para o norte gelado e, mesmo assim, a ausência da protagonista do primeiro só fica mais e mais estranha.

    Mas esse nem é o verdadeiro problema do longa, embora talvez tenha sido a raiz de todos eles. O filme é ruim mesmo. Colocar o inexperiente diretor Cedric Nicolas-Troyan, responsável pelos efeitos visuais do original, à frente do projeto foi um grande erro, mas a culpa não é só dele. A história, ambientada tanto antes do primeiro filme, quanto depois, não faz muito sentido e deixa a narrativa desconexa.

    E não ajuda o fato de o roteiro estar cheio de buracos, os diálogos serem ridículos, as poucas cenas de ação desinteressantes, os personagens mal construídos, as motivações fracas e as atuações preguiçosas, mesmo com grandes nomes como Jessica Chastain (A Hora Mais Escura), Emily Blunt (Sicario: Terra De Ninguém) e Charlize Theron (Mad Max: Estrada Da Fúria) no elenco. 

    E se você está se perguntando como o filme tem tanta gente boa assim, bem, Hemsworth e Theron estrelaram o original e provavelmente foram obrigados a voltar por questões contratuais. Agora é uma incógnita a presença de Emily Blunt e Jessica Chastain, duas mulheres no auge da carreira, que poderiam escolher qualquer projeto em Hollywood. Provavelmente, a Universal está pagando muito bem para ter esse elenco, afinal, a presença desses quatro atores é o trunfo da produção para atrair pessoas ao cinema, já que o resto não deve agradar.

    Até porque, O Caçador e a Rainha do Gelo é muito violento para crianças, muito infantil para os adultos e muito meloso para adolescentes. Então a quem vai agradar? Essa é uma pergunta difícil de responder. Mesmo os fãs de lutas medievais e efeitos especiais vão ter pouco para se apegar. Ok, algumas magias da vilã Freya (Blunt), que é absurdamente inspirada em Elsa de Frozen, são bem legais de se ver na tela, mas é só. De resto, as coreografias são preguiçosas, os cenários artificiais e os efeitos especiais sem inspiração.

    Na verdade, os elementos de fantasia sombria, que faziam do primeiro filme até interessante para quem gosta do tema, foram completamente ignorados. Com isso, os personagens deixam de encontrar criaturas bizarras capazes de proporcionar combates divertidos, os ambientes perdem aquela sensação de opressão gótica e o mundo se torna, apenas, desinteressante.

    Parece forçar a barra dizer que o fraco Branca de Neve e o Caçador é melhor do que O Caçador e a Rainha do Gelo, mas essa é a triste verdade. Não resta muito a fazer além de esperar a reação do público para descobrir se teremos uma terceira tentativa de fazer essa franquia decolar ou se a aposta da Universal acaba por aqui, destinada a ser esquecida entre tantas outras investidas comerciais de Hollywood, igualmente incapazes de conquistar público e crítica.