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    O CAMINHO PARA CASA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Depois do excelente Nenhum a Menos (um dos melhores filmes deste ano), o aclamado cineasta chinês Zhan Yimou volta a contar uma história sobre um professor que leciona numa minúscula aldeia. A ação começa em preto e branco, mostrando um rapaz que volta à sua cidadezinha natal para providenciar o enterro do pai. Lá chegando, ele fica sabendo que sua mãe quer que os funerais sejam realizados a pé, num longo cortejo que percorreria toda a trajetória da estrada que liga a vila à cidade grande. Os motivos que levam a viúva a este estranho desejo serão explicados num flash back - agora em cores - que durará praticamente todo o tempo do filme.

    O Caminho Para Casa está longe de figurar entre os melhores trabalhos de Yimou (o mesmo diretor de A História de Qiu Ju e Lanternas Vermelhas), mas não deixa de ser uma pequena preciosidade oriental. Escancaradamente romântico, o filme é, nada mais nada menos, que uma bela história de amor à moda antiga. A fotografia é deslumbrante, a jovem atriz Zhang Ziyi é mais que convincente (afinal, não só de Gong Li vive o cinema chinês), e a trilha sonora deveria ser proibida pra diabéticos. Não há crítica social, nem sequer uma palavra política. Apenas romance em seu estado mais puro. O único toque de sarcasmo fica por conta de um pôster do filme Titanic displicentemente pendurado numa casa perdida no meio da China, como que querendo ressaltar o poderoso alcance do cinema americano. Ou não.

    É inegável que nunca Yimou havia concedido tanto aos padrões ocidentais como neste filme. Certamente O Caminho Para Casa é seu trabalho mais "digerível" para os padrões hollywoodianos, e tem grande potencial para conquistar uma respeitável fatia de mercado internacional (não por acaso, sua distribuição mundial é feita pela poderosa Columbia Pictures). Mesmo assim, o filme conserva bastante do sabor oriental. Leve, sutil, de extrema delicadeza, O Caminho para Casa traz momentos de rara sensibilidade, como a cena onde a garota, apaixonada pelo professor, enfeita as janelas da escola com delicadíssimos recortes de papel vermelho. Coisas da paciência oriental. Coisas de Zhang Yimou.

    O filme ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim deste ano. Veja sem medo de chorar.


    29 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br