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    O CARTEIRO

    Apesar da indiscutível qualidade técnica, filme de Reginaldo Farias tem graves problemas de roteiro
    Por Roberto Guerra
    09/04/2013

    Reginaldo Farias é um ator indiscutivelmente talentoso, que representou papéis marcantes em filmes de grande importância em nossa cinematografia. Se tivesse se resumido a ter a ideia original do longa e depois a deixado nas mãos de um roteirista profissional, o resultado de O Carteiro, sem dúvida, seria outro.

    A produção é tecnicamente impecável, mas frágil em algo básico à proposta de um filme: contar bem uma boa história. O longa tem fotografia soberba, direção de arte caprichada, som de ótima qualidade, excelente trilha, mas é deficiente pela falta de um profissional essencial: o roteirista profissional.

    Uma boa revisada neste texto e teríamos a eliminação dos excessos, das relações mal resolvidas, de personagens pensando em voz alta explicando ao público o que está acontecendo e o que estão pensando, como numa novela.

    Sem conseguir filmar desde Aguenta, Coração (1984), Farias quis em O Carteiro resgatar o estado de pureza e ingenuidade romântica das comédias italianas. Para isso, criou o universo de Victor (Candé Faria, seu filhor), jovem carteiro fascinado por poesia e Machado de Assis que tem o hábito violar a correspondência dos moradores do lugarejo.

    Ele conhece todas as paixões e intrigas da comunidade com a cumplicidade do companheiro de trabalho, Jonas (Felipe de Paula). Os dois se divertem interferindo nas mensagens, tanto para confundir como para dar uma mãozinha aos corações apaixonados.

    Nota-se claramente um argumento interessantíssimo, mas que infelizmente foi mal desenvolvido. O ritmo da narrativa oscila, o protagonista Victor tem atitudes exageradas que minam a veracidade do personagem, situações são resolvidas a toque de caixa, citações de Machado de Assis entram no filme para dar um verniz de erudição sem qualquer função aparente dentro do enredo.

    No terço final essa fragilidade de roteiro torna-se ainda mais evidente, pois nada é esclarecido a contento. Por essa hora já estamos nos perguntando mentalmente: “Meu Deus, quando isso vai acabar?”