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    O CASAMENTO DE RACHEL

    Por Angélica Bito
    13/02/2009

    Este drama dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) tem um tom de filme independente. Com imagens capturas em digital, é todo filmado com câmera na mão. A trilha sonora vem dos músicos, que ensaiam para o tal do casamento que dá nome ao filme, o que ajuda a contribuir com o clima aparentemente informal do longa-metragem. Aparente porque, debaixo de tantas camadas de trivialidade, O Casamento de Rachel é um trabalho repleto de complexidade dramática.

    Kym (Anne Hathaway) é uma jovem que utiliza o sarcasmo para conseguir lidar com as tragédias em sua vida: a mais atual é estar internada numa clínica de recuperação para viciados em drogas. Mas ela consegue uma dispensa no final de semana no qual sua irmã, a Rachel (Rosemarie DeWitt) do título, vai se casar. Kym volta para casa e encontra poucas recepções capazes de fugir da rispidez. Quase ninguém aceita muito bem sua presença e o que temos é uma seqüência de situações complicadas e problemas do passado que voltam à tona com a presença da protagonista no painel familiar.

    Por mais que seja um longa recheado de conflitos e traumas familiares, O Casamento de Rachel ainda é esperançoso ao mostrar uma família que, apesar dos grandes problemas ainda é capaz de superá-los para um bem maior. A ação se passa num único fim de semana, conturbado e repleto de pequenas e complexas situações dramáticas. O filme traz uma marcante atuação de Anne Hathaway, que é capaz de oscilar brilhantemente entre o sarcasmo, a maldade e a melancolia de uma forma emocionalmente verdadeira. O clima informal conferido ao longa deve-se também à química entre o elenco. São personagens que fazem parte da mesma família, se amam e odeiam simultaneamente da forma que somente membros da mesma família podem fazer de uma forma relativamente saudável. O roteiro, estréia de Jenny Lumet (filha do grande cineasta Sidney Lumet) como roteirista, ainda apresenta uma complexidade disfarçada de informalidade, apresentando uma roteirista a se prestar atenção.

    Transitando muito bem entre a tragédia e o humor negro e inteligente, O Casamento de Rachel é um filme que parece ser pequeno, mas revela-se muito maior na medida em que ganha desenvoltura e conquista o espectador.