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    O CASEIRO

    Narrativa é bem desenvolvida, mas não assusta
    Por Iara Vasconcelos
    21/06/2016

    O Brasil nunca foi referência em filmes de terror, mesmo com figuras como José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e o diretor Rodrigo Aragão, autor dos independentes Mar Negro e Mangue Negro. Esse último, por sinal é o principal responsável por explorar cada vez mais esse nicho por aqui, mas, mesmo assim, o terror tupiniquim ainda engatinha, enquanto Hollywood faz a festa em nossas bilheterias com longas como Invocação Do Mal e Annabelle.

    Entretanto existe um progresso perceptível e O Caseiro é um desses bons exemplos. No filme, o novato diretor Julio Santi (O Circo da Noite) procura explorar o sucesso dos best sellers espíritas ao mesmo tempo em que consegue criar uma aura sonora e visual de terror que não deve a nenhuma produção internacional.

    A trama acompanha o cético professor de psicologia Davi (Bruno Garcia), famoso por publicar um controverso livro em que busca justificar as aparições sobrenaturais com base na psicanálise.

    Sem receber novos pacientes a muito tempo, ele planeja escrever um novo livro, mas sua aluna Renata (Malu Rodrigues) procura sua ajuda após uma sucessão de fatos estranhos acontecerem na propriedade de sua família, inclusive causando a morte de sua mãe.

    Todos acreditam que as manifestações paranormais estão ligadas ao fantasma do antigo caseiro do lugar, que se suicidou. Davi vê o pedido como um desafio e viaja para lá com o intuito de provar que há uma explicação lógica para tudo aquilo.

    O roteiro de O Caseiro é recheado de clichês e não chega a despertar medo de fato. Entretanto, a narrativa é bem desenvolvida e não há excessos de reviravoltas que precedem o clímax, um dos fatores mais criticados em filmes de terror atualmente. O longa ainda conta com uma fotografia sofisticada, principalmente nas cenas noturnas, que são acompanhadas do espelho d'água formado pelo lago que beira o casarão.

    O Caseiro pode ser "inofensivo" frente a outros filmes do gênero e está mais para um suspense do que para um terror, mas é inegável que simboliza um grande passo na produção nacional de terror, o que só beneficia o espectador, ávido por mais diversidade no cinema brasileiro.