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    O CIDADÃO DO ANO

    Stellan Skarsgård quer vingança, com muito humor negro
    Por Daniel Reininger
    17/06/2015

    Fazia tempo que tanto sangue não era derramado sobre o gelo e com tanto humor negro como em O Cidadão Do Ano. O primeiro filme que vem à cabeça é Fargo, dos irmãos Coen. A verdade é que o longa do diretor norueguês Hans Petter Moland poderia facilmente ser um filme dos irmãos, ou, ao menos, outra produção Hollywoodiana, principalmente pela enorme quantidade de mortes e intensidade com que seu protagonista (Stellan Skarsgård, de Os Vingadores) procura vingança pelo assassinato de seu filho.

    Na trama, Nils (Skarsgård) é um cidadão modelo que ganha a vida tranquilamente limpando neve por meio de sua empresa familiar. Quando seu único filho é encontrado morto, vítima de overdose, ele não acredita nas autoridades e percebe que algo estranho aconteceu. Após quase tirar a própria vida, descobre que estava certo e começa sua própria investigação. Se afasta cada vez mais de sua mulher, mas isso não mais importa para o personagem, pois ele só pensa em uma coisa: vingança.

    Aos poucos, começa uma cruzada contra a poderosa gangue comandada pelo "Conde" (Pål Sverre Hagen), que domina a região há anos. Seus atos ainda criam uma inesperada reação em cadeia: O antagonista passa a acreditar que o desaparecimento de seus homens tem a ver com a rival máfia sérvia, liderada por Papa (Bruno Ganz). Sem pensar, o mimado herdeiro do crime começa uma guerra com o grupo competidor, uma luta da qual nenhum dos dois lados pode sair vitorioso. A situação é mais do que conveniente para Nils continuar sua caçada.

    Com ótima atuação, Skarsgård é o retrato do caçador inteligente e calmo nessa nova parceria com o diretor Hans Petter Moland, algo que começou em 1995 com Zero Kelvin. Já o Conde é o epítome do Eurotrash pretensioso. Cruel e infantil, mostra seu lado mais patético quando discute com sua ex-mulher (Birgitte Hjort Sorensen) sobre a custódia do filho. O personagem caricato e divertido é grande fonte de humor do longa. Já o sombrio Papa, o chefão sérvio (vivido pelo ótimo Bruno Ganz, de A Queda! As Últimas Horas De Hitler), é um gangster old-school sério e focado, embora não menos interessante.

    Destaque também para o design de produção de Jorgen Stangebye Larsen. As diferenças entre o Conde, Papa e Nils são claras até nas decorações de suas casas, a primeira minimalista e moderna, a outra escura e clássica e a última mais familiar. A neve e as paisagens desoladas ganham vida com a fotografia inspirada de Philip Øgaard, que utiliza o ambiente como um importante elemento, abusando de tomadas panorâmicas. Faz sentido, afinal a neve é de extrema importância para a trama, já que está sempre presente e funciona como metáfora para a falta de emoção de todos os envolvidos na carnificina. Além disso, Nills remove seus inimigos como faz com a neve – de forma lenta e constante.

    O filme é um mix sutil de contrastes, capaz de mudar do tom de tragédia familiar para a violência impiedosa com ótimos momentos de humor social, sempre com muita fluidez. Inteligente, estranho e curiosamente engraçado, O Cidadão do Ano é mais uma ótima produção de Hans Petter Moland e realmente é muito mais interessante do que seu fraco título brasileiro dá a entender.