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    O CIRCO DAS QUALIDADES HUMANAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Em clima de tensão, quatro pessoas discutem num bar lotado. Há um revólver sobre a mesa. De repente, uma delas quebra uma garrafa de cerveja na cabeça de seu oponente. Todos os outros clientes do bar continuam calmamente bebendo e conversando, como se nada tivesse acontecido. Ninguém sequer olha para a briga. Esta é apenas uma das dezenas de situações falsas, sem credibilidade e mal dirigidas que compõem o filme O Circo das Qualidades Humanas, que estréia em São Paulo neste fim de semana.

    São quatro histórias (todas passadas em Congonhas, Minas Gerais), dirigidas por quatro diretores - mas não se trata de um filme dividido em episódios. Os produtores optaram por chamá-las de “núcleos”. Geraldo Veloso dirige o núcleo em que Ulysses (Eduardo Lago), um professor de barroco mineiro, está em crise existencial, o que o leva de volta à sua terra natal. No núcleo dirigido por Jorge Moreno, o personagem principal é Bosco (Daniel Oliveira), rapaz com problemas psicológicos que tenta se refugiar nas drogas. Milton Alencar dirige o núcleo em que Chicão (Stênio Garcia), um ex-delegado do Rio de Janeiro, é procurado pelos bandidos Carioca (Henrique Pires) e Preto (Romeu Evaristo), que lhe juraram vingança. E finalmente Paulo Augusto Gomes dirige o personagem Eduardo (Jonas Bloch), um engenheiro paulista que faz da profissão o grande objetivo da sua vida, até que uma estranha mulher (Paula Burlamaqui) o surpreende.

    O Circo das Qualidades Humanas é um enorme erro, da primeira à última cena. Desde o roteiro pretensioso (em que cada personagem parece carregar consigo um problema maior que a própria vida) passando pela fraca construção de personagens (são muitos, vários deles abandonados no meio da trama) e culminando com a equivocada direção de atores, que dá ao filme inteiro um falso tom teatral. O encontro de Eduardo com a mulher misteriosa chega a ser constrangedor de tão infantil e a última cena, em que Cássia Kiss surge do nada e vai para lugar nenhum, é o auge da falta de senso.
    Um grande e lamentável desperdício de elenco, tempo, dinheiro e celulóide do cinema brasileiro.

    4 de dezembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br