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    O CÓDIGO DA VINCI

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    O Código Da Vinci é adaptação de livro homônimo escrito por Dan Brown. Traduzido e lançado em 40 países, a obra vendeu mais de um milhão de exemplares somente no Brasil e, ainda hoje, figura em listas de "mais vendidos" nas maiores livrarias brasileiras. Se considerarmos que sucessos literários tendem a atrair multidões de espectadores às salas de cinema, esta produção é uma das mais aguardadas de 2006. Não somente por isso, mas também porque uma das melhores propagandas é a polêmica. E disso O Código Da Vinci está cercado. Afinal, a produção aborda mitos religiosos e sujos jogos de interesse dentro da Igreja, mais poderosa instituição católica. Está bem claro que é uma obra de ficção, também envolvendo o mundo das artes. Mesmo assim, o livro (e, conseqüentemente, o filme) não deixa de atiçar os religiosos mais fervorosos, que pedem (sem sucesso) pela proibição de sua exibição.

    O professor norte-americano Robert Langdon (Tom Hanks) está em Paris para fazer uma palestra e lançar seu mais novo livro, um estudo sobre a simbologia feminina na história mundial. No meio de um evento, é requisitado a comparecer no notório Museu do Louvre, onde aconteceu o assassinato de seu curador, Jacques Saunière (Jean-Pierre Marielle). As pistas para o crime parecem estar escondidas em quadros de Leonardo Da Vinci. Com a ajuda da criptógrafa francesa Sophie Neveu (Audrey Tautou), ele descobre que o curador estava envolvido em uma misteriosa sociedade secreta, os Templários, que, desde a morte de Jesus Cristo, protegem o segredo do Santo Graal. Como numa caça ao tesouro, que não deixa nada a dever aos filmes como os de Indiana Jones (mas sem tanta aventura), eles seguem as pistas deixadas por Saunière - o último dos quatro protetores do segredo assassinados - em busca do lendário objeto, também contando com a ajuda de Sir Leigh Teabing (Ian McKellen), amigo de longa data de Langdon e estudioso do Santo Graal.

    Mas a caça não é nada tranqüila: enquanto decifram as pistas, fogem do investigador Bezu Fache (Jean Reno) - crente que Langdon é o assassino do Louvre - e do assustador monge Silas (Paul Bettany), seguidor do Opus Dei (braço da Igreja Católica) com a missão de recuperar a pedra-chave que protege o mapa que leva ao Santo Graal. Enquanto o interesse dos Templários é proteger o segredo, o Opus Dei está interessado em destruí-lo, uma vez que as informações podem abalar todos os alicerces que dão base à Igreja, podendo acabar com todo o seu poder mundial.

    Um dos maiores destaques em O Código Da Vinci (o livro) é a forma como Dan Brown é capaz de envolver o leitor nessa aventura conduzida por Langdon e Sophie. Aos milhares de fãs da obra literária, a boa notícia é que a adaptação dirigida por Ron Howard (A Luta Pela Esperança) não decepciona. Mesmo tendo sido vaiado por jornalistas no Festival de Cannes, onde foi exibido pela primeira vez. Assim como no livro, há muita falação, o que não deixa nenhum mistério em aberto, ao mesmo tempo em que pode cansar o espectador, assim como a saturada trilha sonora de Hans Zimmer. Afinal, são duas horas e meia de filme e poucos minutos de silêncio.

    Mesmo assim, a aventura prende a atenção do espectador e o envolve da mesma forma que o livro faz. A direção de Ron Howard aproveita muito bem as belíssimas locações européias - a última cena, no Museu do Louvre, é de deixar qualquer um boquiaberto de tão bela. Usando muitas gruas - equipamento capaz de dar elevação à câmera -, filmagens aéreas e um desfile de obras plásticas clássicas - afinal, o mistério é completamente envolvido com as artes -, Howard mistura imagens filmadas a efeitos visuais para unir passado e presente, tão interligados nessa complicada trama. Destaque, também, à feliz escolha do elenco estrelado, em especial ao casal protagonista. Tom Hanks é, incontestavelmente, um dos atores mais poderosos de Hollywood e seu poder tende a crescer após a produção. O mesmo pode ser dito da francesa Audrey Tautou que, após chamar a atenção do mundo cinematográfico como a protagonista do adorável O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), consegue o papel que marca seu estrelato. Existe química entre os dois personagens, mas o diretor preferiu cortar qualquer resquício de romance no longa-metragem - o que acontece no livro. Escolha ousada que mostra o objetivo do filme: ater-se ao mistério criado por Brown em torno do Santo Graal e da religiosidade na história mundial.