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    O CONTADOR

    Ben Affleck vive um Batman sem máscara em nova produção
    Por Iara Vasconcelos
    18/10/2016

    Em O Contador, Ben Affleck vive uma mescla de Batman (sem máscara) e Psicopata Americano. O longa não tem uma premissa original, entretanto a direção certeira do irlandês Gavin O'Connor e a atuação convincente de Affleck conseguem deixar essa produção interessante.

    A trama possui diversos clichês, a começar pelo do gênio antissocial com um passado obscuro capaz de coisas incríveis. Christian Wolff (Affleck) é um contador freelancer e expert em matemática que, por trás da fachada de escritório aparentemente comum, conta com um leque de clientes envolvidos com tráfico de drogas e terrorismo.

    Apesar de extremamente inteligente, ele desenvolveu diversos tipos de T.O.C. e tem dificuldades em se relacionar com outras pessoas, principalmente porque sofre com um tipo especial de autismo. Quando criança, ele e o irmão foram abandonados pela mãe e criados pelo pai, que atuou no exército americano no passado. Com medo de que os filhos não conseguissem se defender, ele os colocou em um regime intensivo de luta e técnicas de autodefesa, os transformando em verdadeiras máquinas de matar.

    Ao ser contratado para analisar as finanças de uma empresa e descobrir um rombo milionário, ele e a contadora efetiva Dana (Anna Kendrick) acabam sendo alvos de um grupo de assassinos de aluguel. Mesmo sem conseguir demonstrar seus sentimentos, Wolff faz de tudo para protegê-la e encontrar os responsáveis pelo dinheiro desviado. Do outro lado, o agente quase aposentado Ray King (J.K. Simmons) e a talentosa e promissora Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson) correm contra o tempo para encontrar o contador.

    Toda a ação ocorre de forma rápida e roteiro rejeita monólogos desnecessários. Volta e meia, o filme recorre a flashbacks da infância de Wolff sem tornar esse recurso maçante – como acontece em tantos outros filmes. É possível até dizer que Affleck está mais confortável no combate corpo a corpo neste filme do que em seu desempenho em Batman Vs Superman. Aliás, outra semelhança entre o personagem e o Homem-Morcego são os seus "brinquedinhos". Entretanto, os gadgets de Wolff não são tão interessantes assim.

    O longa peca um pouco em abandonar os personagens de Simmons e Addai-Robinson, que só voltam a aparecer perto da conclusão do filme, e mostram potencial desde o começo e poderiam ser mais bem explorados. Além disso, a personagem de Kendrick se limita a ser uma "Manic Pixie Dream Girl", que aparece apenas para ajudar o protagonista masculino a "se encontrar".

    Apesar do final anticlimático e incapaz de fechar todos os arcos abertos na trama, O Contador surpreende com boas cenas de ação e um Ben Affleck mais carismático que o esperado. O roteiro oferece alívio cômico em horas necessárias, bem como humaniza o personagem, sem o isentar de julgamentos morais.