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    O CONTO DOS CONTOS

    Obra bizarra e visceral nunca realmente decola
    Por Daniel Reininger
    11/05/2016

    O conceito de fábulas adultas tem cada vez mais se resumido a filmes fracos com atores reais e um pouco mais de violência do que veríamos numa obra para adolescentes, como no caso de João e Maria: Caçadores De Bruxas. A qualidade desses longas é sofrível e, quando algo diferente aparece, até estranhamos.

    Esse não pe o caso de O Conto Dos Contos, desconcertante filme de Matteo Garrone (Reality: A Grande Ilusão) baseado na obra do poeta italiano do século 17, Giambattista Basile Pentamerone. O longa é uma fábula violenta, visceral e repleta de elementos de terror, que conta três histórias paralelas.

    A primeira mostra uma rainha disposta a tudo para engravidar. A segunda mostra um rei libidinoso iludido pelo canto de uma velha que o engana a todo custo e a terceira sobre um monarca egoísta que se preocupa mais com sua pulga gigante do que com sua filha.

    O visual é impressionante, o mundo é assombroso e a ambientação medieval é incrível. Os efeitos práticos e locações barrocas da Itália proporcionam um realismo assustador, que transforma as terríveis histórias em algo ainda mais visceral. A produção de arte é impressionante, os trajes extravagantes e luxuosos são feitos para impressionar e reforçar a diferença absurda entre as classes sociais. E o grotesco, algo muito presente na obra, é realmente incômodo.

    Algumas boas atuações também marcam o longa, cujo grande problema é o ritmo lento e tramas que nunca realmente decolam. E, como toda obra com histórias paralelas, os contos individuais tendem a ser melhores que o todo e o segredo do sucesso está na montagem, que, no caso, não valoriza nenhuma das narrativas e alterna de forma estranha situações leves e bem humoradas com momentos de extrema violência, sem aviso ou mudança gradual de tom.

    Com isso, o longa se torna confuso, algo ainda mais marcante graças ao desenvolvimento lento das bizarras tramas. Quando achamos que algo incrível vai acontecer, a narrativa volta à mesmice e se arrasta. Quando começa a ficar interessante de novo, muda de núcleo de personagens sem nunca evoluir, de fato, nenhuma das histórias. Algo cansativo para um longa com mais de duas horas de duração.

    Algumas cenas sejam impressionantes, como a caça ao mostro marinho ou a luta contra um Ogro. Além disso, muitas situações exageram na violência sem necessidade ao ponto de incomodar os mais desavisados.

    Entretanto, é interessante como Garrone foca a figura da mulher, mostrando suas lutas, desafios e força interna para superar até os piores obstáculos. Elementos importantes em qualquer obra atual, mas que são obscurecidos pela bizarrice das histórias em que se encontram, muito focadas nas consequências terríveis de decisões motivadas pelas razões erradas.

    O roteiro linear de cada história, sem reviravoltas ou situações marcantes, impede que o filme cause o mesmo impacto que outras obras similares, como O Labirinto do Fauno. Isso não seria um problema tão grave se ritmo e montagem estivessem redondos, mas com esses elementos fora de sintonia, o desenrolar das tramas apenas se torna irritante.

    O Conto dos Contos é um conceito incrível, uma verdadeira fábula para adultos. A bizarrice é constante, porém, mesmo esse aspecto poderia ser melhor explorado caso a obra entrelaçasse ainda melhor suas histórias.