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    NO CORAÇÃO DO MAR

    História real que inspirou Moby Dick é narrada com crueza
    Por Edu Fernandes
    02/12/2015

    Moby Dick (1851) é um dos romances mais importantes da literatura mundial, com um relato duro sobre as consequências da obsessão e da ganância do ser humano. O autor Herman Melville se inspirou em um naufrágio real ocorrido em 1820 para conceber seu mais famoso livro. A história verídica é narrada em No Coração Do Mar.

    O filme começa com Meville (Ben Whishaw, de 007 Contra Spectre) que chega à casa de Thomas Nickerson (Brendan Gleeson, de No Limite Do Amanhã), o último sobrevivente do famigerado naufrágio do Essex. O escritor quer ter uma longa conversa com o veterano para colher dados para seu futuro livro, mas terá de superar a resistência do depoente. Nas décadas que se passaram desde o incidente, ele não partilhou sua história com outra pessoa e se tornou um homem amargurado.

    Nesse ponto entra em cena a esposa de Thomas (Michelle Fairley, de Game of Thrones). Ela tem interesse no dinheiro que Melville oferece pela entrevista, mas acima de tudo espera que o marido encontre paz de espírito após a conversa com o autor.

    Esse prólogo serve para preparar o espectador para uma narrativa com muitos percalços, que testarão os limites dos personagens envolvidos. Mais adiante, a volta para a conversa dos dois homens noite a dentro é por vezes desnecessária, uma vez que a atenção e o interesse estão voltados para os ocorridos no Essex.

    Assim voltamos para o começo do século XIX, quando Nickerson era um novato em alto mar com catorze anos de idade. Nesse período, o protagonista é vivido por Tom Holland (O Impossível), futuro Homem-Aranha do Universo Cinematográfico da Marvel. O jovem órfão consegue embarcar no Essex, pois sua viagem é uma das últimas da temporada de caça às baleias e os encarregados não podem se dar ao luxo de serem exigente demais no quesito tripulação.

    No começo da jornada pelo mar, vemos os apuros de Thomas em se adaptar à nova rotina e a disputa entre o capitão George Pollard (Benjamin Walker, de Abraham Lincoln: Caçador De Vampiros) e o primeiro imediato Owen Chase (Chris Hemsworth, de Férias Frustradas). O comandante é inexperiente e só assumiu o posto por causa do nome de sua família. Chase terá de lidar com o excesso de ego e a falta de traquejo de seu superior, ao mesmo tempo em que engole seu orgulho, pois lhe fora prometido o comando da embarcação.

    Depois de estabelecidas as relações a bordo, chega o momento de ver a caça às baleias em si. São nessas cenas que fica mais evidente o tema do filme: o homem na tentativa de controlar e superar com sua inteligência forças maiores do que ele mesmo, sejam as baleias ou o próprio mar. Nesse ponto, No Coração do Mar esbanja grandiosidade com bom uso dos efeitos visuais para retratar o embate que prepara terreno para a chegada da baleia branca que causa o naufrágio.

    As passagens que mais interessam ao público demoram para chegar, mas a construção dramática é eficiente e mantém o espectador preso aos personagens. Esse é um mérito do roteiro de Charles Leavitt (Diamante De Sangue), mas também do diretor Ron Howard (Rush - No Limite Da Emoção), que tem rodagem em outras adaptações de histórias reais para a tela grande.

    A situação-limite do naufrágio é mostrada com dureza – para tal, o elenco foi submetido a uma dieta de 500 calorias diárias para perder peso. Nesse contexto, algumas transformações dos personagens são possibilitadas, para abrilhantar a narrativa. É nesse trecho final que No Coração do Mar traz cenas humanas tão grandiosas quanto a baleia branca ou uma tempestade em alto mar.