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    O DÉCIMO HOMEM

    Filme fala da importância de revisitar o passado
    Por Iara Vasconcelos
    04/05/2016

    A América Latina é um continente multicultural, por isso, não é incomum encontrar cidades e bairros alemães, árabes, italianos, armênios, entre outros. O Once, em Buenos Aires, é conhecido por ser o paraíso do comércio, mas também por ser o bairro com maior concentração de Judeus no país.

    Daniel Burman, um dos diretores mais promissores do cinema argentino, resolveu adentrar o cotidiano desse lugar ao retratar a história de Ariel (Alan Sabbagh), empresário bem-sucedido que construiu uma carreira em Nova York e decide retornar ao Once para visitar seu pai.

    Usher é fundador de uma instituição de caridade, que distribui alimentos, medicamentos e resolve os problemas gerais dos moradores – como um cantor homossexual que não consegue encontrar um rabino que aceitasse fazer o seu bar mitzvah. O curioso é que Usher não aparece na maior parte do filme, é possível apenas ouvir a sua voz pelo telefone. O mesmo ocorre com a esposa de Ariel, uma dançarina supersticiosa que tira o sono do marido.

    Para dar leveza à trama, Burman explora um romance entre Ariel e Eva, filha do açougueiro Kosher, expulsa de casa por questionar a validade das tradições judaicas. Eva, que é interpretada pela estrela de Relatos Selvagens Julieta Zylberberg, é uma personagem interessante, não só por suas visões sobre a religião, mas por conseguir englobar uma modéstia exacerbada, que ao longo do filme se transforma em pura rebeldia.

    O ritmo de O Décimo Homem é frenético, talvez para fazer alusão a rotina do comércio de rua, grande especialidade do bairro, e por isso mesmo falha em prender o espectador. Não há uma história para se contar, já que a trama é constituída de diversas situações diferentes: O problema de Usher com o açougueiro; A saída de Eva da casa dos pais; A falta de carne Kosher na instituição, o que faz as pessoas se rebelarem; e as estranhas ligações da esposa de Ariel.

    O Décimo Homem tem um ar de nostalgia, o que se reflete no filtro meio vintage das imagens. Burman quer resgatar a importância de suas raízes, ao mostrar a jornada de redescobrimento de Ariel, logo de um passado que ele tanto tentava escapar.