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    O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Não é todo mundo que consegue roteirizar e dirigir dois filmes no mesmo ano. Muito menos colocar um deles em competição no Festival de Veneza, e ganhar o Urso de Ouro em Berlim com o outro. No mesmo ano! Godard conseguiu: em 1965, seu Alphaville ganhou o prêmio máximo em Berlim e, poucos meses depois, seu outro trabalho - O Demônio das 11 Horas - concorria ao Leão de Ouro em Veneza e ao Bafta na Inglaterra. Ambos estão sendo relançados pelo Grupo Estação neste final de semana.

    O Demônio das 11 Horas mostra a história de Ferdinand (o então galã Jean-Paul Belmondo), um professor de espanhol que se rebela contra a mesmice e a chatice da vida que leva ao lado de sua bela esposa italiana. Cansado de tudo, ele foge para o Mediterrâneo ao lado de Marianne (Anna Karina, de Alphaville), uma jovem que servia de baby-sitter dos próprios filhos. Ela, por sua vez, está sendo perseguida por um crimonoso da Argélia.

    Sintonizado com os ideais dos anos 60, O Demônio das 11 Horas é a apologia do inconformismo libertário. A partir do livro de Lionel White, Godard faz de seu roteiro um hino à liberdade, um tapa na cara (ou, no caso do filme, um bolo na cara) daquilo que na época era moda chamar de burguesia.

    Sem dúvida o filme está envelhecido, nestes tempos de neoliberalismo, mas é sempre bom rever o melhor de Godard (geralmente sua produção dos anos 60), nem que seja como um registro histórico de uma época onde o cinema era mais a arte do diretor que propriamente do produtor.

    6 de maio de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br