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    O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO

    Por Angélica Bito
    22/06/2007

    Baseado no romance O Véu Pintado, de W. Somerset Maugham, O Despertar de uma Paixão é a terceira adaptação deste livro ao cinema e é o resultado do trabalho de seis anos capitaneado principalmente por Edward Norton, protagonista e produtor do longa-metragem. Tendo estudando a cultura chinesa na faculdade, o ator logo se seduziu por esta história que se passa na China colonizada por ingleses durante os anos 20 e tratou de dar um cunho mais político à trama, característica inexistente na obra original.

    Norton interpreta o Walter, um bacteriologista inglês que mora em Xangai, capital da China. Numa de suas passagens por Londres, ele conhece Kitty (Naomi Watts), uma jovem rica e fútil que aceita casar-se com Walter pelo desejo de sair do sufocante ambiente familiar. Em Xangai, o casal conhece o vice-cônsul inglês Charlie Townsend (Liev Schreiber, namorado de Naomi na vida real) e sua esposa, Dorothy (Juliet Howland). O encontro muda a vida da protagonista para sempre: ela se apaixona por Charlie, com quem passa a viver um tórrido romance extraconjugal. Mas isso é só o começo da trama de O Despertar de uma Paixão, que se desenvolve melhor quando Kitty e Walter mudam-se (a contragosto da esposa) para uma pequena vila no interior da China, infestada por um surto de cólera. É lá que eles realmente conhecem melhor tudo que acontece no momento político chinês pós-revolução.

    Visualmente, O Despertar de uma Paixão é fascinante. As locações na China são muito bem exploradas pelas câmeras, comandadas pelo cineasta John Curran (Tentação). A direção de arte, bem como a recriação da estética oriental nos anos 20, é caprichada e fiel. O roteiro é muito bem-amarrado e mescla muito bem os dramas do relacionamento vivido entre os protagonistas ao momento político chinês daquela época. O filme mostra como a China estava sendo colonizada por ingleses após a revolução, dosando a forma como a cultura local era apagada pela ocidental naquele período. No entanto, os personagens não são desenvolvidos de forma a criar empatia junto ao espectador. Nada relacionando ao julgamento de suas atitudes pouco louváveis, mas eles não são aprofundados o suficiente para que o público se sinta envolvido com a história. Agora, a forma como a produção mostra a interação dos personagens orientais e os ocidentais é o grande trunfo deste belíssimo drama.