Poster de O Diabo de Cada Dia

O DIABO DE CADA DIA

(The Devil All the Time)

2020 , 138 MIN.

18 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 16/09/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Antonio Campos

    Equipe técnica

    Roteiro: Antonio Campos, Donald Ray Pollock, Paulo Campos

    Produção: Jake Gyllenhaal, Max Born, Randall Poster, Riva Marker

    Fotografia: Lol Crawley

    Trilha Sonora: Danny Bensi, Saunder Jurriaans

    Estúdio: Bronx Moving Co., Nine Stories Productions

    Montador: Sofía Subercaseaux

    Distribuidora: netflix

    Elenco

    Abby Glover, Bill Skarsgård, David Atkinson, Donald Ray Pollock, Douglas Hodge, Drew Starkey, Eliza Scanlen, Given Sharp, Gregory Kelly, Haley Bennett, Harry Melling, Jason Clarke, Jason Collett, Kristin Griffith, Lucy Faust, Mark Jeffrey Miller, Mia Wasikowska, Michael Banks Repeta, Morganna Bridgers, Pokey LaFarge, Riley Keough, Robert Pattinson, Sebastian Stan, Tom Holland

  • Crítica

    16/09/2020 11h50

    Por Daniel Reininger

    O Diabo De Cada Dia, novo filme da Netflix, traz elenco estrelado e discussão sobre religião levada ao extremo. O longa apresenta Tom Holland em seu papel mais sombrio até agora e Robert Pattinson como um inescrupuloso pastor em uma trama com personagens perturbados, situações violentas e grotescas.

    A produção segue o estilo gótico sulista, um movimento literário com foco na decadência e ambientada no sul dos Estados Unidos, cuja narrativa não linear explora a violência da iconografia religiosa.

    O começo da trama mostra Willard Russell (Bill Skarsgård) durante a Segunda Guerra Mundial, quando descobre um soldado crucificado, ensanguentado e infestado de moscas, ainda vivo. A imagem muda para sempre o rapaz e grava em sua cabeça a brutalidade do sacrifício religioso.

    Quando Willard retorna para casa, conhece o amor de sua vida, Charlotte (Haley Bennett), e, aos poucos, tenta voltar à normalidade, mas, quando as coisas se complicam, se volta para a fé de modo obsessivo e violento.

    Bill Skarsgård em cena de The Devil All The Time
    Ambientado entre duas cidades isoladas, Knockemstiff, Ohio, e Coal Creek, Virgínia Ocidental, o filme do diretor Antonio Campos (do filme Christine e episódios da série Justiceiro) é uma adaptação do romance de Donald Ray Pollock e acompanha duas gerações de personagens problemáticos e violentos. Por sinal, é curioso ver um elenco tão incrível disposto a fazer personagens tão cruéis e disfuncionais.

    É interessante ver como a trama constantemente entrelaça felicidade com violência. Arvin (Tom Holland) cita o espancamento de dois homens da cidade onde mora como um dos momentos mais felizes com seu pai. Em outra cena, a trama apresenta a alegria de Willard ao conhecer Charlotte, e, a poucos metros, Carl Henderson (Jason Clarke) encontra Sandy (Riley Keough), que formam uma dupla de assassinos em série que mata jovens e tira foto deles no auge do medo para guardar como lembrança.

    O Diabo de Cada Dia sempre explora o extremismo e o absurdo faz parte de cada história individual. Para Carl, por exemplo, o assassinato é a única maneira de sentir amor por Sandy e principalmente por Deus. Já na cidade de Knockemstiff, Willard encontra o pastor Roy Laferty (Harry Melling), que joga centenas de aranhas em seu rosto para provar sua fé e a existência de Deus. Essa exibição faz com que Helen (Mia Wasikowska), uma devota garota da cidade, se apaixone loucamente.

    O longa funciona principalmente por contar com atuações poderosas. Tom Holland nunca esteve tão violento e convence no papel de jovem marcado pelos erros de seus antepassados e pela região onde mora. Robert Pattison é um pastor cruel, bem diferente dos outros personagens em muitos aspectos, principalmente por ser, provavelmente, o menos religioso entre os protagonistas, irônico, certo?

    Estão ótimos também Bill Skarsgård, Jason Clarke, Riley Keough e Sebastian Stan no papel de um xerife corrupto. E os coadjuvantes também se entregam aos seus papéis, e, juntos, os atores garantem uma qualidade inegável ao filme.

    Como o narrador do filme explica, cada pessoa dessas regiões se conecta por "luxúria, necessidade ou simplesmente ignorância". Orações não respondidas levam quase todos à loucura. Vale lembrar que, nos anos 50, muitas doenças ainda não tinham cura e duas Guerras Mundiais acabaram com boa parte da população, como resposta, a religião parecia ser o único recurso, ainda mais diante da pobreza e das dificuldades do dia a dia.

    O Diabo de Cada Dia é provocativo e angustiante, um conto sobre crueldade e decadência, enquanto critica a fé extrema como resposta às dificuldades da vida. O talentoso elenco comanda bem o filme, que flui, apesar de ser longo. Essa não é uma história fácil de digerir e certamente não é para todos os públicos, mas é uma obra impactante e de qualidade inegável, que vai acompanhar o espectador muito tempo depois dos créditos finais.



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