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    O DIÁRIO DE TATI

    Mesmo rodado há 6 anos, filme não soa anacrônico já que os adolescentes continuam os mesmos de sempre <br />
    Por Roberto Guerra
    23/08/2012

    Levar a personagem Tati, a boa caricatura de adolescente feita por Heloisa Périssé, ao cinema carregava consigo um risco. E não era um risco qualquer. Ver uma humorista talentosa interpretando uma jovem de 14 anos num esquete de TV pode ser bem divertido, como foi. A prova está no sucesso alcançado por Tati no teatro e na TV, na qual chegou a ganhar um quadro fixo no Fantástico depois de lançada na Escolinha do Professor Raimundo. Mas e no cinema, cujo registro é mais realista, funcionaria?

    Fui à sessão de imprensa do longa desacreditado que poderia dar certo, mas fui convencido do contrário ao longo da projeção deste filme deliberadamente simples, sem pretensões, mas que alcança seu maior propósito: divertir a audiência com sua paródia do dia-a-dia de uma adolescente e seus “graves” problemas, que, no filme, se resumem em encarar uma recuperação em Matemática e viver as desventuras dos primeiros amores.

    O Diário de Tati funciona por dois motivos básicos: o talento de Périssé para dar vida à personagem e o roteiro redondinho de Tiza Lobo e Paulo Cursino. E “redondinho” aqui significa não tentar ir além do trivial, de não procurar dar profundidade nem fazer análise mais séria da transição para a vida adulta. O filme faz apenas uma caricatura cinematográfica de uma adolescente e tem história bem amarrada e convincente dentro de suas pretensões. E não pretender ser algo mais complexo não é um problema.

    A direção é de Mauro Farias, que tem larga experiência dirigindo séries de TV. O diretor não chega a transformar O Diário de Tati num produto televisivo travestido de filme de cinema, mas é fato que foi econômico na linguagem cinematográfica: poucos planos abertos e uso contido de travellings. Poderia ter caprichado mais em cenas como a do jogo de futebol das meninas, por exemplo. Outra sequência preguiçosamente elaborada é do baile no qual o alvo romântico de Tati acaba nos braços de sua arquirrival, camila Pessegueiro (Thaís Fersoza).

    Por ter sido rodado há seis anos, o filme não contempla alguns elementos da adolescência do nosso tempo, como o uso de smartphones e redes sociais, por exemplo. Mesmo assim, não soa anacrônico, pois, no fundo, os adolescentes continuam os mesmos de sempre: cheios de ansiedades, desejos, frustrações e rebeldia sem razão de ser. E Heloisa Périssé transparece ter muito carinho por sua personagem, o que faz a imatura e divertida Tati crescer na tela.