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    O DOBRO OU NADA (2012)

    Com protagonista irritante, elenco de estrelas não consegue salvar o filme do roteiro desastroso<br />
    Por Felipe Minozzi
    17/02/2013

    Apesar de ser uma comédia, O Dobro Ou Nada é cheio de mistérios. O maior deles é: como um roteiro tão desastroso e entediante, aliado a personagens tão pobres, atraíram atores tão bons? Baseado na vida da stripper-escritora-jornalista Beth Raymer, o filme dirigido por Stephen Frears é prova de que algumas histórias podem ser interessantes no mundo real, mas desastrosas no cinema.

    Rebecca Hall interpreta a irritante Beth, dançarina sensual que ri de tudo e resolve largar a profissão, pois tem o “extremamente ambicioso” sonho de ser garçonete de coquetéis em Las Vegas. Lá conhece Dink (Bruce Willis), apostador profissional que, mesmo sem motivos, a contrata e por quem ela, sem qualquer explicação, se apaixona. Mas entre eles está Tulip, esposa ciumenta e esticada pelo botox interpretada por Catherine Zeta-Jones. Tudo isso culminará em um dos finais mais desinteressantes já vistos em Hollywood e que envolve, obviamente, uma aposta.

    O autor de thrillers políticos Tom Clancy certa vez afirmou que “a diferença entre ficção e realidade é que a ficção precisa fazer sentido”. Nenhuma frase resume melhor o maior problema de O Dobro Ou Nada. Não há qualquer tipo de personalidade que justifique as ações dos personagens. Ninguém tem motivação; as atitudes são baseadas simplesmente na vontade do roteirista D.V. DeVincentis que, ao lado de mais três escritores, foi responsável pela boa adaptação de Alta Fidelidade, também assinada por Frears. Aqui, repetindo a parceria com o diretor, mas sozinho pela primeira vez como roteirista, apenas cria perguntas não respondidas que transformam o longa em um emaranhado de cenas sem sentido e nada engraçadas.

    As suposições que o espectador formula em sua mente durante o desenrolar da “trama” provam-se milhões de vezes mais interessantes do que as promessas não cumpridas na tela. Quando parece que a história terá uma virada, uma surpresa, o filme trata logo de provar que imaginação não fez parte do projeto. Para exemplificar melhor, só com spoiler: em momento crítico, um dos funcionários de Dink some e seu colega revela que ele foi ao show da Celine Dion. Será que foi mesmo? Talvez esteja envolvido com outro apostador... Não, por incrível que pareça, ele gosta mesmo da cantora canadense. Brochante.

    Justiça seja feita: Catherine Zeta-Jones está ótima como Tulip, cujos surtos de ciúme te fazem (quase) esquecer a falta de enredo. Uma atuação sólida, mas insuficiente para livrar o espectador dos chiliques alegres de Beth que, como protagonista, dá pulinhos e gritinhos gratuitos a cada três minutos.

    Se você quiser ver uma boa história de alguém que se aventurou nos cassinos de Las Vegas, assista a Quebrando a Banca. E se estiver com vontade de dar risadas com Bruce Willis, continue com Os Mercenários 2. O Dobro Ou Nada já tem seu lugar garantido na prateleira de comédias descartáveis.